Haicais

O haicai, conhecido entre os japoneses e em quase todos os países como haiku, é uma modalidade poética originária do Japão, que prima principalmente por sua brevidade, pela clareza e por ser estritamente objetivo. Estes poemas são construídos com apenas três linhas – na primeira e na derradeira aparecem cinco caracteres japoneses, correspondentes as nossas tradicionais sílabas; sete sinais definem o segundo verso.

No Japão esta poética é normalmente elaborada em uma singela linha verticalmente disposta; no idioma português, ao contrário, os poemas são escritos em três linhas horizontais. Alguns haicais são complementados com uma pintura, a qual é denominada haiga.

Os poetas que se dedicam a esta arte são intitulados haijin ou haicaísta. Um nome paira sobre todos os demais neste ofício, Matsuô Bashô, pois ele devotou sua existência ao objetivo de converter o haikai em um exercício de natureza espiritual. Estes versos, em sua versão clássica japonesa, submetem-se a quatro normas, de acordo com o pesquisador Harold G. Henderson: 17 caracteres japoneses, distribuídos em três linhas de 5, 7 e 5 sílabas; eles aludem a temas próprios da vida natural; o haikai retrata um acontecimento singular, e o expressa como se estivesse ocorrendo neste exato momento, não em algum ponto do passado.

Conforme o haicu é importado por outras nações, as suas regras são mais ou menos seguidas, e algumas delas podem até desaparecer, segundo a vontade de seus criadores ou do movimento poético vigente. No Brasil ele desembarcou em princípios do século XX, e foi celebrizado pelo poeta Guilherme de Almeida, que hoje encontra neste país inúmeros seguidores. No padrão por ele arquitetado a primeira linha rima com a terceira, e a segunda contém uma rima interior, ou seja, a segunda sílaba rima com a sétima.

Outro movimento haikaísta é o convencional, disseminado, a princípio, por japoneses que vieram para o Brasil ou pelas gerações seguintes, tais como H. Masuda Goga e Teruko Oda. Esta escola vê o haikai como uma forma poética singela, elaborada em um discurso linguístico claro e desprovido de complexidade e de rimas.

Ele é constituído por três linhas que completam dezessete sílabas poéticas, no formato clássico. Ademais, este haikai obrigatoriamente apresenta uma kigo, ou seja, vocábulos ou frases muito usadas nos poemas japoneses, as quais têm uma estreita ligação com uma determinada estação climática anual.

Nos anos trinta a interação entre haicaístas brasileiros e japoneses se acentuou, o que contribuiu para a disseminação desta arte no país, sob novas formas. Neste período foi publicada a primeira coletânea desta poesia, denominada Haikais, do autor Siqueira Júnior, lançada em 1933. A primeira obra feminina deste gênero foi a da escritora Fanny Luíza Dupré, de 1949, intitulada Pétalas ao Vento – Haicais.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guilherme_de_Almeida
http://pt.wikipedia.org/wiki/Haikai
http://www.kakinet.com/caqui/nyumon.htm

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