Literatura brasileira no exterior

Por Fernando Rebouças
Os brasileiros estão habituados a se depararem com diversos livros escritos por autores estrangeiros, desde os clássicos norte-americanos e europeus, até os atuais best-sellers gringos que abarrotam nossas livrarias. E a nossa literatura brasileira? Em qual proporção os romances machadianos; os poemas de Drummond e de Vinícius de Morais; e a prosa de Clarice Lispector são lidos e reconhecidos no mercado editorial estrangeiro.

Sabemos que, no decorrer do século XX, as obras de Jorge Amado e de Paulo Coelho foram traduzidas e vendidas com grande aceitação em diferentes países, inclusive em países como Rússia, Bulgária e Irã. A partir de 2011, o Ministério da Cultural brasileiro iniciou um debate favorável a um programa de divulgação e tradução de nossa literatura nas principais universidades estrangeiras e em feiras internacionais.

Apesar da literatura brasileira já ter sido destacada em eventos literários estrangeiros, os leitores de outros países ainda trata nossas obras como uma nova e grandiosa descoberta.

No ano de 2012, a presidência da FBN (Fundação Biblioteca Nacional) iniciou um programa de bolsas que apoia a tradução e publicação de obras de escritores brasileiros no exterior, o Centro Internacional do Livro tem o objetivo de expandir a cultura nacional para outros países e, sobretudo, atrair investimentos para o mercado literário de nosso país.

O projeto teve investimento inicial de 7,8 milhões de reais, e poderá contar com o apoio financeiro de entidades estrangeiras. A FBN é a oitava biblioteca do mundo e o Brasil ocupa a 11ª posição no mercado mundial de livros. O programa ainda pretende atrais o interesse de editores estrangeiros. Em 2012, o Brasil foi homenageado na Feira do Livro de Bogotá e, em 2013, a homenagem ocorre na Feira do Livro de Frankfurt.

A obra de Paulo Coelho que mais vendeu em todo o mundo foi O Alquimista, alcançando 69 idiomas. Porém, outras obras de autores nacionais têm conquistado leitores estrangeiros em diferentes países, mas, o grande desafio está além de divulgar autores consagrados.

Em recente entrevista concedida a um portal especializado, o escritor e professor da USP, Milton Hatoum, somente 3% dos livros lançados nos EUA são obras estrangeiras, ou seja, escritos por autores não americanos. Além das barreiras do idioma, sabemos que os traços culturais podem gerar diferentes ritmos de entendimento do enredo de uma obra num determinado país. O mercado editorial norte-americano é menos propício para as obras nacionais, pois, segundo Agnes Krup, diretora da agência literária Sanford J. Greenburger Associates, mesmo que um editor norte-americano tenha grande interesse em publicar um escritor brasileiro, a obra pode ser barrada pelos profissionais do marketing e do setor de vendas que, na maioria dos casos, não compreendem a língua portuguesa e os significados de nossa cultura. Esse fator explica o por quê de nossas obras serem mais aceitas em países europeus, cujo mercado é ávido pelo lado tropical, exótico e criativos de nossa expressão cultural e mais próximo de nossa língua, mais notadamente, Portugal, Espanha e França.

Segundo o jornalista e escritor norte-americano Benjamin Moser, responsável pelo lançamento da biografia de Clarice Lispector:

“Acho que o Brasil poderia fazer muito mais para promover a literatura brasileira internacionalmente. As pessoas fora do Brasil têm uma ideia muito vaga do país. Acho que desde Carmen Miranda não tem mudado muito”.

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/795456-literatura-brasileira-tem-visto-internacional-quase-permanente.shtml
http://www.publishnews.com.br/telas/colunas/detalhes.aspx?id=64067
http://www.estantevirtual.com.br/blogdaestante/2011/11/21/literatura-brasileira-no-exterior-os-12-autores-nacionais-mais-lidos-no-mundo/
http://valerumlivro.mtv.uol.com.br/2012/04/10/biblioteca-nacional-inicia-projeto-que-promove-a-literatura-brasileira-no-exterior/