Literatura medieval

Este tema possui certas questões importantes a serem lembradas antes de se entrar no tema em si. O período dito como medieval foi denominado como tal por estudiosos após este período. Entretanto, esta periodização e sua espacialidade são questionadas até hoje por estudiosos medievalistas. Spina, por exemplo, compreende a temporalidade medieval a partir do século IX, no auge do Império Carolíngio.

Os textos medievais foram conservados, segundo Borsa, Høgel, Mortensen e Tyler, e podem ser vistos como atos de fala (escritos) com um propósito de persuasão, de curto ou de longo prazo, e buscavam competir por um lugar na hierarquia textual e linguística de posições individuais e institucionais, poética e administrativa (como no caso de se ver isto na retórica imperial de Petrarca e de Benoît Grévin). Todavia, Spina entende os primeiros séculos do medievo como compostos por uma literatura latina, monacal, com intenções didáticas e apologéticas que eram produzidas por copistas, e, assim, a produção de literatura laica não foi preservada, pois se difundia pela oralidade.

Apesar da criatividade literária na Idade Média, algumas técnicas de classificação antigas se mantiveram na literatura. De acordo com Borsa, Høgel, Mortensen e Tyler, a teoria literária só recentemente considerou como parte de relatos literários e históricos alguns tipos de textos, por exemplo, litúrgicos e muito da hagiografia.

Segundo Spina, a produção e difusão literária eram, por sua maioria, influenciadas pela estrutura social e pela igreja. Apesar de ser um tanto restrito o numero de pessoas que escreviam e liam, houve uma diversidade nas formas literárias produzidas neste período. Spina dividiu a criação literária medieval em dois grupos, o primeiro dos séculos IX ao XI, e o segundo momento dos séculos XI até XV. Neste primeiro período houve a substituição do metro clássico pelo ritmo românico, ou seja, da métrica quantitativa pela versificação acentual.

Conforme Spina, o primeiro período da Idade Média foi marcado pelos resquícios culturais romanos, como o uso do latim, composto por literatura monástica (hagiografias, poemas litúrgicos e hinos), literatura especulativa, historiografia, goliardos (canções em latim de caráter tavernário) e teatro em latim. Algumas exceções ao uso do latim, neste período, foram os poemas épicos (Sagas, Eddas, Beowulf e escáldicas) e o zéjel. Durante os séculos X e XI, o formato do zéjel colaborou para construção da poesia até mesmo no período chamado de Renascimento. Desde o século XI, conforme Spina, cada vez o mais a literatura profana se afastou das obras litúrgicas.

Spina dividiu em três grupos fundamentais a produção literária a partir do século XI. São elas: literatura empenhada, literatura semi-empenhada, e literatura de ficção. A literatura empenhada tinha como objetivo a apologia, a didática, que eram representados pelos hinos, pelas hagiografias, pelos poemas sacros, milagres, bestiários, lapidiários e pelo drama litúrgico. No caso da literatura semi-empenhada possuía-se intuito satíricos, produzidas no formato de goliardos, poesia alegórica, fabliaux e teatro cômico. O último grupo, literatura de ficção, referia-se a uma produção que sublinhava a estética, como no caso da poesia épica (incluindo sagas, canções de gesta), lírica trovadoresca, as baladas, lais, e narrativa novelesca.

Os temas, de acordo com Spina, mais abordados na literatura medieval eram: amor e luta, astúcia, clérigo versus cavaleiro, a virgem, morte e fortuna. Os temas melhor eram efetuados em certos gêneros, por exemplo, a temática de amor foi explorada na poesia trovadoresca e épica, já o tema astúcia estava presente nas sátiras, fabliaux e novelas boccaccianas, Os temas de virgem, morte e fortuna eram principalmente escritos em poesia lírica.

A literatura medieval foi documentada, e manuscritos foram preservados, o que possibilitou tanto o conhecimento da sua produção quanto a pesquisa sobre suas diferenças e semelhanças. Apesar de que grande parte das obras foram escritas em latim, algumas obras apresentaram a língua vulgar, escrito com resquícios da oralidade, o que torna mais enriquecedor adentrar nas suas particularidades.

Leia também:

Bibliografia:
BORSA, Paolo; HØGEL, Christian; MORTENSEN, Lars Boje; TYLER, Elizabeth. “Medieval European Literature?”. In: Interfaces. n. 1. Milão: Universidade de Milão, 2015, p. 7-24. Disponível em: http://riviste.unimi.it/interfaces/article/view/4936.

SPINA, Segismundo. A cultura literária medieval: uma introdução. 3. ed. Cotia : Ateliê, 2007. 110 p.

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