Literatura pós-moderna

Pyzik utiliza, ao pensar sobre a pós-modernidade, a definição elaborada por Mark Lilla sobre o conceito. Lilla denominou pós-modernidade como algo que faz parte de uma convicção promovida por diversos pensadores (Derrida, Foucault, Lyotard, Baudrillard, Adorno, Benjamin, Kristeva), que contribuíram, de alguma maneira, para um fim político emancipatório compartilhado. Segundo Pyzik, os debates culturais e históricos sobre obras literárias, fonográficas e televisivas tornaram-se necessários para entender a produção de significados e o processo de formação de valores vigentes.

Hogue entende a pós-modernidade como uma nova era da cultura e econômia social, a qual rompe de forma epistemológica com a modernidade. Para Hogue, a pós-modernidade joga com a universalidade da razão instrumental e rejeita os postulados sociais, sexuais, psicológicos, filosóficos e históricos que são totalizantes, metafísicos e essencialistas. Então os escritores pós-modernos buscam problematizar e rejeitar o que foi preconcebido e naturalizado na sociedade, como o sexismo e o racismo e, a partir disto, interrogar os valores presados na sociedade. Hogue acredita que os escritores pós-modernos que representam as minorias (negros, indígenas e mulheres) buscam novas formas e paradigmas culturais, sexuais, de gênero e sociais para reescreverem suas representações na literatura, fora dos estereótipos e convenções repressivas da literatura Moderna eurocêntrica. Desta forma, o pós-modernismo, para Hogue, é uma reação ao modernismo, à razão ocidental, ao patriarcado e a outras ideias do Iluminismo, e à supremacia branca, sexista.

Conforme Pyzik cita o que Colin Falck escreveu sobre a literatura pós-moderna, Falck acredita que o pós-modernismo não precisa ser niilista ou conceber o mundo em estágios de ruptura, nem reduzir a literatura a uma competição consigo mesma. Pyzik notou que a literatura pós-moderna pode estar nos mais variados moldes, e até mesclar estilos. As principais características da literatura pós-moderna utilizada por Lyotard e Bauman são compostas por protagonistas, iniciativas e objetivos nobres. Os objetivos para este tipo de literatura procuram focar nas mudanças de diferentes tipos de identidades ao longo do desenvolvimento dos contextos.

Alguns escritores que representam a literatura pós-moderna, segundo Hogue, eram: John Barth, Kurt Vonnegut, Robert Cover, Rudolph Wurlitzer, William H. Gass, Raymond Federman, Ishmael Reed, Thomas Pynchon, David Foster Wallace, Toni Morrison, Rikki Ducornet, Clarence Major, Paul Auster, Kathy Acker, John Edgar Wideman, Bill T. Vollmann, Gerald Vizenor, Percival Everett, Carole Maso e Susan Daitch.

Cheryl Alexander Malcolm percebe a crítica aos valores familiares nos livros The Bluest Eyes, de Toni Morrison e Rooster, de Milcha Sanchez-Scott. Estes livros questionam a importância de representantes da família e dos papéis dos familiares em situações onde há negligencia dos cuidados dos pais. Este foi um dos exemplos que permite verificar que o enredo para este tipo de literatura da importância a emergir questões latentes que foram naturalizadas.

Assim, a literatura pós-moderna não busca inovar no gênero, mas o enredo tem uma importância em desnaturalizar questões por muito tempo naturalizadas. As problematizações trazidas por esta literatura contribuem para representações dos mais diversos temas e protagonismos.

Bibliografia

PYZIK, Teresa. Reflections on Ethical Values in Post-Modern American Literature. Katowice: Editora Universidade de Silésia, 2000,
238 p.

HOGUE, W. Lawrence. Postmodern American Literature and Its Other. Illinois: University of Illinois Press, 2009, 212 p.

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