Molly Bloom - Ulisses

O romance Ulisses, obra mais importante de James Joyce, publicada no ano de 1922, apresenta uma das personagens femininas mais intrigantes da literatura: Molly Bloom. Segundo alguns críticos literários contemporâneos, ao lado de Nástienka (Noites Brancas – Dostoievski) e Dolores Haze (Lolita - Vladimir Nabokov), Molly é uma das mulheres mais vívidas e enigmáticas do século XX.

No Romance, ela é esposa do personagem principal, Leopold Bloom. Como a obra é uma paródia de "A Odisseia", a mulher que corresponde a Molly no livro de Homero é Penelope. A diferença principal entre as duas é que, enquanto Penelope é fiel, Molly tem um caso com Hugh 'Blazes' Boylan depois de dez anos de celibato no casamento.

Nascida em Gibraltar no ano de 1870, a mulher criada por James Joyce é filha do Major Tweedy, um militar irlandês, e de Lunita Laredo, que é descendente de judeus da Espanha. Após o casamento com Leopold em 1888, Molly deu à luz a Milly Bloom, que saiu de casa aos 15 anos para estudar fotografia. O outro filho de Molly é Rudy, que morreu aos 11 anos de idade. Como ocupação, Molly é cantora de ópera e tem certo prestígio.

Molly Bloom é considerada como a explosão verbal procurada por Joyce em seu estado mais puro. Em suas frases, na descrição de sua personalidade, o escritor consegue imprimir sensações que estão próximas de um estado limítrofe entre o real e o imaginário. Uma das características mais impressionantes do diálogo interior travado por ela é a aproximação de uma forma natural de falar, muitas vezes construída de maneira forçada por diversos autores, mas que chega próxima à perfeição nas mãos de Joyce. Bloom fala como pensa, as palavras seguem ordens abstratas e vão se encaixando até quase fazer a personagem pular das páginas e agarrar o leitor pelo pescoço.

Esta técnica, definida no meio literário como fluxo de consciência ou monólogo interior, foi utilizada com propriedade por Virginia Woolf e Jack Kerouac, para citar dois exemplos de épocas diferentes. Apesar disso, o que faz a escrita do diálogo interior de Bloom ser atípico a outros exemplos da literatura é o fato de não ser guiada conscientemente, mas, sim, nascer no inconsciente. Não há caminhos previamente estabelecidos e nem interpretações possíveis. O fluxo de Molly percorre as 24 horas do livro com fina elegância, permeando entre idílico e real, terminando nostalgicamente e pontualmente em Ulisses para retornar na viagem noturna de Finnegans Wake, outra obra de Joyce.

Fontes:
JOYCE, James. Ulisses, Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
http://www.germinaliteratura.com.br/literatura_jan2007_allandeabreu.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Molly_Bloom
http://pt.scribd.com/doc/56572691/Analise-ULISSES

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