Prêmio Jabuti

Por Ana Lucia Santana
O Prêmio Jabuti acumula, hoje, 52 anos de existência; no início, era pouco festejado e alvo de raros empreendimentos. Sua trajetória tem início aproximadamente em 1957, uma iniciativa da Câmara Brasileira do Livro, então presidida por Edgar Cavalheiro e secretariada por Mário da Silva Brito, ambos pesquisadores da literatura nacional, integrantes da diretoria do período 1955-1957.

Neste período os profissionais desta área estavam empolgados com todas as possibilidades do mercado, apesar de contarem com poucos meios financeiros e uma baixa mobilização dos membros desta esfera. Os dedicados pioneiros do campo editorial estavam inebriados pelo desejo de laurear anualmente escritores, editores, ilustradores, profissionais do setor gráfico e livreiros que predominassem entre os demais.

Os idealistas que conceberam esta premiação iniciaram os debates em torno do seu formato, mas foi na gestão posterior, que abarcou de 1957 a 1959, gerida por Diaulas Riedel, que o prêmio foi realmente definido como um jabuti, tanto na imagem quanto na expressão que o intitularia até nossos dias. Foi então elaborada uma competição para se escolher a melhor estátua, afinal confeccionada pelo artista Bernardo Cid de Souza Pinto.

O primeiro Jabuti foi concedido nesta mesma regência, em fins de 1959, numa festa singela e desprovida de pretensões, sediada no auditório do prédio onde era então localizada a Câmara Brasileira do Livro, na Avenida Ipiranga. Entre os escritores premiados estava o baiano Jorge Amado, por seu clássico Gabriela, Cravo e Canela.

Há vinte anos atrás o Jabuti ainda era uma premiação restrita, pois não mais de 300 livros eram inscritos nesta concorrência; atualmente cerca de três mil obras disputam esta estatueta. Hoje ele é considerado uma das mais significativas premiações do campo literário brasileiro.

Ao longo dos anos este prêmio foi sendo lapidado, mesmo encarando as mais variadas adversidades, como o regime ditatorial e crises econômicas, sem falar na indiferença e na carência de estímulos à literatura e à leitura. Aos poucos este cenário foi se modificando, com a celebração de eventos literários e a criação de programas de incentivo ao consumo do livro e à leitura.

O Jabuti conquistou outras categorias, laureando, hoje, de ficções a obras de caráter didático, livros ilustrados e elaborações gráficas. O Estado, o terceiro setor e iniciativas privadas se aliam na promoção da literatura. Esta premiação se consolidou de tal forma que nos dias atuais os leitores e profissionais da área editorial aguardam ansiosamente a divulgação dos nomes premiados.

O autor a ser mais vezes premiado com o Jabuti é o poeta Bruno Tolentino, com as obras As horas de Katharina, O Mundo como Ideia e A Imitação do Amanhecer. A premiação às vezes é um tanto controversa, pois os melhores de cada categoria são selecionados pelo júri, enquanto os livros vencedores do ano em questão são igualmente escolhidos por membros da esfera editorial; nem sempre, portanto, coincide a primeira posição de uma determinada classe e o principal vitorioso.

Fontes:
http://cbl.org.br/jabuti/telas/historia/
Revista Panorama Editorial. Ano V – Número 54 – Julho de 2010. Câmara Brasileira do Livro.