Romance psicológico

O gênero romance psicológico tem como principal característica a imersão nas razões dos motivos, escolhas e ações dos seres humanos, no fluxo inconsciente das memórias que passa a determinar o comportamento dos personagens. Ao contrário de outros tipos de romance, onde o ambiente sociocultural é fator crucial para o desenvolvimento da trama, o psicológico apega-se à análise das decisões e motivos íntimos.

O livro pioneiro do romance psicológico é de Choderlos Laclos, general francês que entrou na literatura mundial pela obra As Relações Perigosas (Les Liaisons Dangereuses), de 1782. Porém, o gênero só ganharia reconhecimento no final do século XIX, quando Dostoiévski foi traduzido do russo para outras línguas e Stendhal foi redescobertos nos meios literários. Uma das obras primas do romance psicológico foi escrita por Dostoiévski, Crime e Castigo  (Prestuplenie i Nakazanie, de 1866), que apresenta um personagem atormentado por sua memória após cometer um assassinato.

O marco inicial do romance psicológico no que se refere à literatura do Brasil foi escrito por Machado de Assis. Com seu livro, Dom Casmurro, o autor apresenta personagens multifacetados e analisa profundamente as características psicológicas de cada um deles. Ainda na literatura brasileira, outros títulos de romances considerados psicológicos são: Crônicas da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso, A Menina Morta, de Cornélio Pena, São Bernardo, de Graciliano Ramos, Laços de Família e Perto do Coração Selvagem, duas obras de Clarice Lispector.

Na segunda metade do século XX, era comum que os romances produzidos no Brasil apresentassem temáticas psicológicas. Um dos mais famosos foi Cleo e Daniel, escrito por Roberto Freire, médico psiquiatra e autor. Com base neste romance, foi produzido um filme de mesmo nome que causou divergências na época do seu lançamento por apresentar uma linguagem mais realista, focada em descobertas da psicologia contemporânea.

Na literatura inglesa, um clássico do romance psicológico é O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), de Emily Brontë, escritora britânica. Em suas páginas, a autora apresenta um imenso campo em que podem ser feitas interpretações das instâncias psíquicas dos personagens (superego, id e ego).

Fontes:
http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/374583
http://pt.wikipedia.org/wiki/Romance_psicol%C3%B3gico
http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=337&Itemid=2
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/letronica/article/view/5235/4054

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