A Bolsa Amarela

Por Ana Lucia Santana
A protagonista desta obra, que é considerada uma das melhores e mais célebres de Lygia Bojunga, um clássico no campo da literatura infanto-juvenil, é uma garota que, além de enfrentar as questões típicas da sua faixa etária, sente-se extremamente só, pois é a filha mais nova entre irmãos pelo menos dez anos mais velhos.

Eles a consideram uma criança, ou seja, alguém sem conhecimento de nada, e não lhe dão atenção alguma, o que a leva a guardar dentro de si mesma três desejos secretos: ser um garoto, seguir a carreira literária e crescer velozmente. Raquel desconhece, na verdade, algo fundamental, quem ela realmente é, pois passa por um período de transição, no qual já não é mais uma menina, mas também ainda não pode ser considerada uma adolescente.

A partir de um certo momento, a protagonista ganha uma bolsa amarela e, então, passa a guardar em seu interior tudo que se passa em sua alma, suas vontades e expectativas mais intensas. Deste ponto em diante muitos acontecimentos imaginários e concretos, mesclados uns aos outros, passam a ocorrer.

Sem poder contar com a compreensão alheia, ela observa muito atentamente o que acontece a sua volta, e desenvolve o hábito de se corresponder com companheiros invisíveis e fictícios. Com a bolsa amarela em mãos, ela agora tem onde depositar tudo que se passa em seu íntimo, pois nela há espaço para tudo, desde alguns galos até uma sombrinha representada por uma personagem feminina, e outras tantas narrativas criadas pela protagonista, que também é a narradora do livro.

Lygia tem o dom de captar com nitidez a essência do universo das crianças e de retratar a sua alma, sempre de uma forma leve e engraçada. Ela envolve de tal forma o leitor, seja ele o público infantil ou o adulto, que com certeza sua leitura se torna inesquecível. Nesta obra a autora consegue transcender sua própria prática literária, pois A Bolsa Amarela traz em si uma lição de vida única.

Raquel cria um mundo mágico para si mesma ao tentar fugir de um lugar ao qual não sente pertencer, pois, afinal, criança não tem direito a ter vontades; por isso mesmo ela logo inventa três delas para sua vida e, a partir deste universo particular, narra ao leitor, seu cúmplice, a jornada de cada dia, não apenas a sua, mas a de toda a família. Os próprios irmãos reconhecem seu dom de inventar histórias.

Lygia Bojunga Nunes nasceu na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, no dia 26 de agosto de 1932.  Inicialmente seu sonho era ser atriz, carreira que ela desenvolveu no rádio e nos palcos teatrais antes de optar definitivamente pela literatura. Sua trajetória literária se concretizou com a publicação de Os Colegas, de 1972, e se tornou ainda mais consistente com o lançamento de Angélica, editada em 1975.

Em 1982 ela foi agraciada com o Prêmio Hans Christian Andersen, mais significativa distinção literária na esfera da literatura infanto-juvenil. Com Os Colegas ela já havia alcançado o topo dos premiados no Concurso de Literatura Infantil do Instituto Nacional do Livro, em 1971. Sua produção se consagrou tanto nacional quanto internacionalmente.

Fontes:
http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/2009/02/28/bojunga-e-a-bolsa-amarela/
http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=biblioteca.interna&id_livro=92
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lygia_Bojunga