A Mulher Que Matou os Peixes

Por Ana Paula de Araújo
“A mulher que matou os peixes infelizmente sou eu”, é assim que começa esta história, explicando para o leitor que na verdade o crime foi sem querer. Tenta convencer o leitor de que foi tudo um acidente, de que está falando a verdade, e para explicar o fato conta sobre a sua afeição com outro animais, contando como cuidou bem deles. Explica que sempre foi alguém que gosta de animais, de crianças também e de gente grande.

Durante o livro conta a história de vários animais, todos realmente fizeram parte da vida de Clarice, foram bichos de estimação que já viveram em sua casa. Fala dos que vieram sem ser convidados como a lagartixa que comia os mosquitos e mantinha a casa limpa, e também do que ela escolheu para criar, como os cachorros brincalhões, a gata curiosa, um mico esperto e vários coelhos...

Desta forma, com naturalidade, a história vai sendo contada de modo coloquial, amigável e lúdico, aproximando-se do universo da criança. A história fala de compreensão e afeto para com pessoas e bichos, mas em alguns momentos fala do sentimento de uma perda ou de quando os fatos vão acontecendo de um modo que não queremos ou esperamos. Além destes assuntos trata também da temática da morte e da tristeza, porém de uma maneira simples, fácil à compreensão da criança.

No livro Clarice é a própria narradora e fala em discurso direto, recurso que dá a sensação de proximidade necessária para conquistar o pequeno leitor. O livro vai, de forma inesperada, lidando com medos próprios das crianças, como é o caso da história de dois cachorros que eram amigos, mas acabam brigando até a morte de ambos. No final, Clarice fala diretamente com as crianças:

“Vocês ficaram tristes com essa história? Vou fazer um pedido para vocês: todas as vezes que vocês se sentirem solitários, isto é, sozinhos, procurem uma pessoa para conversar. Escolham uma pessoa grande que seja muito boa para crianças e que entenda que às vezes um menino ou uma menina estão sofrendo…”

As histórias vão se sucedendo, e a medida que as crianças vão entrando em contato com estas temáticas, vão sendo levadas a entender que são sentimentos e situações que realmente podem acontecer, e que apesar de nãoserem boas, podem ser superadas. No final do livro, a autora leva o leitor a perdoá-la pelo crime que cometeu de ter matado os peixes.

Segue o trecho final da obra:

“E assim como a mãe ou a empregada esquecem uma panela no fogo, e quando vão ver já se queimou toda a comida – eu estava também ocupada escrevendo história. E simplesmente fiz uma coisa parecida com deixar a comida queimar no fogo: esqueci três dias de dar comida aos peixes! Logo aqueles que eram tão comilões, coitados.

Além de dar comida, eu devia sempre trocar a água do aquário, para eles nadarem em água limpa.

E a comida não era qualquer uma: era comprada em lojas especiais. A comida parecia um pozinho horrível, mas devia ser gostoso para peixe porque eles comiam tudo.

Devem ter passado fome, igual gente. Mas nós falamos e reclamamos, o cachorro late, o gato mia, todos os animais falam por sons. Mas peixe é tão mudo como uma árvore e não tinha voz para reclamar e me chamar. E, quando fui ver, estavam parados, magros, vermelhinhos – e infelizmente já mortos de fome.

Vocês ficaram muito zangados comigo porque eu fiz isso? Então me dêem perdão. Eu também fiquei muito zangada com a minha distração. Mas era tarde demais para eu lamentar.

Eu peço muito que vocês me desculpem. Dagora em diante nunca mais ficarei distraída.

Vocês me perdoam?”

Fontes:
http://www.skoob.com.br/livro/19595-a-mulher-que-matou-os-peixes
http://aestanteliteraria.blogspot.com.br/2012/10/resenha-mulher-que-matou-os-peixes-de.html
http://claricelispector.blogspot.com.br/2008/11/mulher-que-matou-os-peixes.html
http://ninguemcrescesozinho.com/2012/11/01/a-mulher-que-matou-os-peixes-livro-de-clarice-lispector/
http://www.goodreads.com/book/show/2234118.A_Mulher_Que_Matou_Os_Peixes