A Noite da Arma

David Carr é atualmente um conceituado e premiado jornalista do veículo The New York Times. Mas nem sempre foi assim. Durante mais de dez anos ele foi viciado em cocaína e ao longo de dois anos consumiu crack vorazmente. Após essa trajetória alucinante de dependência de drogas e de álcool, comércio de entorpecentes, vários períodos de reclusão nas prisões e cinco terapias de desintoxicação, ele começou a emergir desse terrível pesadelo.


Mas não é sua versão dos fatos que compõe esta obra. Ele jamais confiaria em seu ponto de vista, pois estava sempre louco demais para saber o que fazia ou o que acontecia a sua volta. Portanto, resolveu reproduzir 60 depoimentos de seres vinculados de uma forma ou de outra à sua jornada existencial. Ele também registrou inúmeros relatos de médicos e da polícia, frutos de uma profunda investigação jornalística da própria vida.

Carr tinha necessidade de conferir a realidade das suas memórias. Era realmente verdade que, no passado, ele apontara uma arma para um amigo? Havia mesmo sequestrado os nenês gêmeos recém-nascidos? Ele de fato dera um murro na ex-mulher? Para ser mais sincero com ele, decidiu realizar esta autobiografia, mas com o jornalismo como ferramenta principal, para evitar maiores mentiras.

Na primeira parte do livro "A Noite da Arma" o autor reproduz sua sombria jornada pelo universo das drogas e das bebidas. Há muito sofrimento neste caminho. Depois de atravessar vários momentos lamentáveis no período que vai de 1987 a 1988, ele decidiu enfrentar uma terapêutica intensiva e conseguiu se reerguer.

Aí tem início a segunda parte, na qual Carr renasce, conquista deferência na vida profissional e procura se redimir no campo familiar. Porém as tentações e as dificuldades retornam, na forma de um câncer e sob a aparência de brilhantes garrafas nas quais borbulham o álcool sedutor.

O jornalista confessa que a imagem retratada pelos entrevistados é muito mais sinistra do que ele imaginava. Várias de suas ex-companheiras relatam episódios de violência e tormentos físicos. Amigos relembram histórias que Carr acreditava terem ocorrido de forma totalmente diferente, como o caso em que ele achava ter sido ameaçado com uma arma de fogo, mas na realidade era o próprio autor que apontava uma pistola para o amigo, evento que dá título ao livro.

O autor tece de tal forma seu texto, que o próprio leitor começa a questionar suas escolhas, seus comportamentos, suas ações. É um livro realmente fascinante. David Carr, aos 56 anos, parece ter muito mais; os anos mergulhados nessa rotina alucinante cobram seu preço. Hoje ele se destaca no célebre The New York Times, chegando a se sobressair no documentário sobre o jornal, Page One. Este livro foi lançado nos Estados Unidos em 2008, mas só agora é publicado no Brasil.

Fontes:
http://www.uniad.org.br/desenvolvimento/index.php/blogs/dependencia-quimica/18001-jornalista-relembra-trajetoria-de-vicio-na-autobiografia-a-noite-da-arma
http://rollingstone.uol.com.br/guia/livro/noite-da-arma/

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