A Queda (Diogo Mainardi)

Nas primeiras páginas do livro o leitor já se choca com uma afirmação do controvertido jornalista e autor Diogo Mainardi. Diante da Scuola Grande di San Marco, um imponente prédio renascentista que data do princípio do século XVI, o qual abriga o Hospital de Veneza, célebre por sua estética imponente e pelos incessantes equívocos cometidos pela equipe médica, ele declara que com aquela fachada seria até capaz de aceitar um filho deformado.


Quem já está habituado ao estilo do escritor, um controverso articulista, famoso por suas ferozes colunas publicadas na revista Veja até fins de 2010, não vai estranhar tanto a forma como em 424 tópicos e em orações concisas ele desfia uma série de afirmações ácidas sobre a forma como seu filho, Tito, tornou-se vítima de um erro médico e por esta razão adquiriu uma paralisia cerebral.

Logo na primeira linha o leitor já é informado de que o bebê foi submetido a uma sequência de erros cometidos por uma médica identificada apenas como “dottoressa F”. A criança permaneceu sem respiração por alguns minutos ao longo do processo de nascimento.

Logo depois Tito foi internado na UTI com tubos que o estimulavam a respirar. Ele praticamente não se movia, e os únicos instantes em que a dor do pai era amenizada residiam nos momentos em que o bebê pedia ajuda, pois só então tinha a convicção de que o filho estava com vida, já que podia nesta hora estar partindo.

O jornalista confessa algo surpreendente. Sempre manteve a crença de que se um filho seu ficasse em coma, ele preferiria a sua morte. Mas depois de ver pela primeira vez seu bebê, no Hospital veneziano, a concepção inicial se modificou radicalmente. Sete meses depois o garoto parecia ter superado tudo. Aparentemente ele crescia sem problemas. Nenhum exame apontava prejuízos cerebrais.

Em uma determinada ocasião, porém, percebeu que Tito não revirava o corpo após ser posicionado de barriga para baixo. O número 424 incluso no título refere-se igualmente ao espaço máximo até agora percorrido pela criança sem tombos. Nesta obra o autor retrata sua jornada ao lado do filho, desde o momento difícil do parto até a educação de uma criança vítima de paralisia cerebral e a repercussão deste contexto na sua existência. E revela como desse encontro brotou um sentimento irrestrito.

Diogo Briso Mainardi  nasceu no dia 22 de setembro de 1962 em São Paulo. O autor, produtor, roteirista cinematográfico e colunista ganhou fama nacional por seus artigos semanais publicados na Veja. Nesta revista ele criticava de forma incisiva os partidos de esquerda, principalmente a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Filho do publicitário Ênio Mainardi, é irmão do diretor de cinema Vinícius Mainardi. Vive com a família em Veneza, na Itália.

 Fontes:
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/literatura/noticia/2012/09/08/a-paternidade-segundo-diogo-mainardi-55378.php
http://pt.wikipedia.org/wiki/Diogo_Mainardi

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