A Submissão

A história parte de um concurso realizado para a escolha de projetos para a edificação de um memorial que será construído em Nova Iorque, no lugar conhecido como Ground Zero. O monumento pretende lembrar os que morreram no atentado às Torres Gêmeas no fatídico 11 de setembro.

Tudo parece normal, até os jurados, congregados em Manhattan, elegerem o trabalho que consideram ser o melhor de todos. Até esse momento ninguém sabe quem é o autor da obra, pois os participantes não podiam divulgar seus nomes antes da escolha final. Quando enfim o júri, formado até mesmo pela viúva de um dos mortos no atentado, descerra o envelope e verifica o nome do vencedor, descobre que ele é Mohamed Khan, muçulmano por indiferença e de nacionalidade americana.

A partir de então é criada uma controvérsia acirrada. A princípio as discussões sobre valores morais, éticos, artísticos e políticos se limitam aos integrantes do júri, mas logo o debate se estende a todo o país depois que informações essenciais vazam na imprensa. A sociedade passa a participar dessa polêmica, a qual logo gera um confronto que se estende por todo o país. Para a surpresa de todos, Claire Burwell, que ali está em nome de todas as famílias das vítimas, alinha-se a favor de Mohamed. E o próprio autor se depara, pela primeira vez, com o legado de sua cultura.

É curioso como a autora revela seus personagens, uma série de criaturas clichês típicas de Nova Iorque, de direitistas nacionalistas a representantes da mídia; de paquistaneses muçulmanos a figuras femininas tanto revolucionárias quanto reacionárias. Cada um deles alimenta suas próprias crenças, supostamente novas, sem igual, as quais são logo colocadas em xeque à medida que a trama se desenrola.

Somente Claire e Mohamed escapam das verdades absolutas; eles não convertem suas hesitações em convicções fossilizadas, e tendem a encontrar a sonhada paz interior, da qual os Estados Unidos carecem. A trama foi bem desenvolvida e a autora optou por uma configuração semelhante a um roteiro de cinema, em moda na América do Norte nos últimos anos. A narrativa eletrizante seduz o leitor quase o tempo todo.

Amy Waldman é autora e jornalista, nascida nos Estados Unidos. Ao longo de oito anos ela atuou na equipe de reportagem do jornal The New York Times. Durante três anos trabalhou como codiretora da seção do jornal na região Sul da Ásia. Contos de sua autoria foram impressos nos veículos The Atlantic e Boston Review. A autora também integra a antologia The Best American Nonrequired Reading 2010. Esta é sua primeira ficção.

Fontes:
http://cbmachado.blogspot.com.br/2013/02/submissao-amy-waldman.html
http://www.skoob.com.br/livro/349783-a_submissao

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