Círculo Negro

Por Ana Lucia Santana
Nesta ficção para jovens adultos, que explora o universo do sobrenatural, Catherine Fisher tece uma narrativa misteriosa e fantástica, a qual gradualmente vai se transformando em uma trama sombria, na qual o leitor se verá conduzido ao mundo do inconsciente, nem sempre belo e atraente.

A autora constrói aqui uma história que emerge da mitologia celta com seus rituais mágicos, uma metáfora inesperada da esfera da mente humana, com seus meandros nem sempre fáceis de compreender, nos quais habitam mágoas e ressentimentos muitas vezes ocultos. Realidade e imaginação se mesclam de tal forma que se torna difícil distinguir suas fronteiras.

Rob é o protagonista desta aventura; ele é inteligente, doce, adora artes plásticas e desenha como ninguém; seus familiares e amigos preenchem seu coração com todo o amor que ele poderia desejar. Chloe é sua irmã mais nova, e a responsável pela reviravolta nos acontecimentos.

Subitamente ela cai do cavalo e transforma radicalmente a vida de sua família. A garota entra em coma profundo e todos os cuidados e olhares se dirigem somente a ela. Os pais permanecem à beira de sua cama, a mãe abandona parcialmente a profissão, e ambos aguardam por um milagre.

Para ajudar nas despesas, Rob se dedica mais que nunca aos seus desenhos, o que lhe possibilita também fugir um pouco da realidade. No sítio arqueológico em que ele trabalha é encontrado um círculo negro de madeira, edificado há milênios. Ele descobre que se trata de uma passagem para outro universo. Paralelamente a este fato, o protagonista toma conhecimento de uma ancestral profecia, segundo a qual um enigmático humano é aguardado; ele emergirá de um caldeirão.

Rob não acredita muito nestas histórias, mas todas as suas crenças são questionadas quando ele, pessoalmente, se depara com um inusitado druida, Ervilhaca, quando caminhava com seu amigo Dan na região de Avebury. Ele diz ser o poeta do mundo e, acima de tudo, que sabe onde está Chloe – em uma prisão no Desmundo. O misterioso ser também lhe revela saber exatamente como despertar sua irmã. Ambos partem juntos para este estranho mundo, um símbolo da psique humana.

O leitor não precisa se preocupar, porém, com uma leitura mais pesada. A autora consegue aliar uma temática densa a um estilo formal leve. A trama flui saborosamente, com total naturalidade. O suspense e as peripécias crescem a cada página do livro, no qual lendas, eventos mágicos e a imaginação se misturam perfeitamente no caldeirão de Fisher.

Catherine Fisher é ex-professora de Redação Criativa; ela também trabalhou em ruínas arqueológicas. Hoje ela se dedica em grande parte à escrita de suas ficções e poesias, criando desenhos, exercitando esgrima e andando pelos bosques do vale Wye. Ela reside no País de Gales com seus gatos Jessa e Tam Lin.

Fontes:
http://www.lendonasentrelinhas.com.br/2010/11/circulo-negrocatherine-fisher.html
http://www.viagemliteraria.com.br/2010/12/circulo-negro-catherine-fisher.html
http://www.record.com.br/autor_sobre.asp?id_autor=6067