É um livro

Por Ana Lucia Santana
É um livro é uma obra que debate o embate entre o livro impresso e o digital e, ao mesmo tempo, realiza uma declaração de amor às páginas de papel em uma era tecnológica que cada vez mais aperfeiçoa os e-books. As novas gerações, a quem são direcionados os recursos tecnológicos contemporâneos e também esta história ilustrada por Lane Smith e editada no Brasil pela Companhia das Letrinhas, talvez não sejam as mais indicadas para avaliar um confronto talvez inexistente.

Os livros digitais provavelmente não foram criados com o intuito de substituir os de papel, embora tragam consigo ferramentas revolucionárias. Só o futuro, é claro, definirá o papel e o destino de cada um destes formatos, mas uma coisa é certa: o encantamento das histórias sempre estará ao alcance do leitor, seja em um suporte ou em outro.

Claro que o livro que pode ser tocado, apreendido por todos os sentidos humanos, tem um valor certamente eterno; o célebre ilustrador não pretende, porém, apresentar uma versão visionária do porvir da história dos volumes impressos, e sim presentear o leitor, adulto ou infantil, com uma narrativa que tem como protagonista o ancestral e apaixonante livro.

Ele não captura a atenção de quem navega por suas páginas através de instrumentos tecnológicos arrojados, como o twitter, as redes sociais, entre outros, e sim por meio das comoções provocadas por uma narrativa bem construída, que arrebata o leitor e o mantém cativo da primeira até a última linha.

Nesta história um diálogo engraçado e controvertido entre um burro especializado no mundo virtual e um macaco devorador de livros traz à cena as diferenças e as especificações de veículos distintos. O burro deseja de toda forma compreender o que é o livro, pois ele só conhece blogs e páginas que sobem e descem. O macaco tenta explicar, com toda paciência, que se trata apenas de um livro, o qual se lê somente virando as páginas.

Nesta trama, que durante semanas resistiu na lista dos livros mais vendidos do The New York Times, o burro chega a ler o livro, entretém-se com a narrativa, mas continua com um ponto de interrogação em sua expressão. A interação entre os animais prossegue ao longo da história, sempre com muito senso de humor, e é concluída com uma afirmação definitiva e talvez um pouco discriminatória: “É um livro, burro”.

Nada, porém, rouba a magia e o divertimento desta obra, este tributo de amor ao antigo produto gerado pela invenção de Johannes Gutemberg, a imprensa, criada em 1455. E ele não deixa de questionar o futuro do livro diante de mídias cada vez mais modernas, as quais com certeza exercem um atrativo irresistível sobre os leitores internautas.

Lane Smith é um famoso autor e ilustrador de livros infantis norte-americano, nascido em 1959 na cidade de Tulsa, em Oklahoma. Ele é casado com Molly Leach, designer de livros. O escritor é conhecido por suas colaborações com Jon Scieszka, que também elegeu o público infantil como alvo de suas criações. Entre as obras de Smith estão, entre outras, Pinocchio: The Boy, de 2002, e John, Paul, George, and Bem, de 2006.

Fontes:
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40642
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI185944-17926,00.html
http://www.amigasdapracinha.com.br/?page=ver_materia&cat=Em%20casa%20-%20Livros&id=1741
http://pt.wikipedia.org/wiki/Livro
http://en.wikipedia.org/wiki/Lane_Smith_(illustrator)