Fragmentos de um Discurso Amoroso

Por Ana Lucia Santana
Esta obra-prima de Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso, é uma resposta do autor aos seus contemporâneos, que haviam marginalizado completamente a linguagem do amor de sua esfera do pensamento, das suas concepções artísticas, culturais ou científicas. Ela era reputada como algo pertencente a um passado excessivamente sentimental, sendo, portanto, segregada por aqueles que se consideravam modernos.

Barthes devolve ao discurso do amor sua dignidade, seu brilho inigualável, ao resgatar a noção dos antigos sobre a alma deste sentimento. Assim, ele retoma os conceitos filosóficos, de Platão a Nietzsche, navega pela Psicanálise de Freud e de seus adeptos, empresta as noções essenciais do Zen e de outras vertentes místicas, assentando-se sobre o alicerce literário, principalmente na releitura de Werther, de Goethe.

Fragmentos de um Discurso Amoroso

Fragmentos de um Discurso Amoroso

Desta forma o escritor francês liberta a linguagem do amor de sua radical condição solitária, do ridículo a que foi exposta no contexto temporal em que viveu Barthes. Ela deixa de ser um espaço reservado apenas ao firme reconhecimento de si mesma, para se estender em sua grandiosidade a todas as esferas do conhecimento, nelas reencontrando seu lugar de outrora.

Roland Barthes concebeu esta obra como um dicionário, expondo suas idéias sob a forma de verbetes referentes ao universo dos apaixonados, dispostos em ordem alfabética. Seu fascinante teor é precedido por um prefácio que, na verdade, é mais um manual que orienta o leitor em sua leitura do livro. Portanto, não é recomendável que se vá direto para o conteúdo desta publicação.

Fragmentos não é um livro para ser lido como qualquer outro. Deve-se estar atento a cada uma de suas passagens, lendo e relendo, destacando o que mais falar à alma de cada leitor. Vale tudo, desde marcar com a caneta as partes mais significativas, até criar à margem das páginas seus próprios comentários sobre o que foi lido. É praticamente impossível empreender a leitura desta obra sem se deixar seduzir por sua essência, sem se apaixonar.

É importante perceber a empatia que cada leitor cria com esta obra. Todas as emoções impressas neste texto cativante despertam uma ou outra vivência íntima, gerando assim um intenso elo entre o ponto de vista do escritor e as experiências existenciais de cada um. Ao percorrer as páginas deste livro, deve-se estar preparado para viver as mais diferentes sensações – chorar, rir, se comover e até mesmo meditar sobre si mesmo, percebendo como as experiências são universais, seguindo muitas vezes um padrão cultural inimaginável.

Roland Barthes é um autor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês. Graduado em Letras Clássicas, em 1939, e Gramática e Filosofia, em 1943, na Universidade de Paris, ele integrou o movimento conhecido como Estruturalismo, seguindo as concepções do principal teórico da Lingüística, Ferdinand de Saussure.

Ele se tornou famoso por conceber o mecanismo linguístico como um evento que ocorre em duas etapas, a denotativa – referente à capacidade de perceber camadas desprovidas de profundeza - e a conotativa – que diz respeito às mitologias, ou seja, às tradicionais codificações aceitas comumente como paradigmas a serem seguidos por todos. Barthes publicou, entre outras obras, O Grau Zero da Escrita, Mitologias, O Sistema da Moda, A Câmara Clara.

Fontes
http://www.submarino.com.br/produto/1/209803
http://pt.shvoong.com/books/classic-literature/1877235-fragmentos-um-discurso-amoroso/
http://portal.rpc.com.br/jl/divirtase/conteudo.phtml?id=801406&tit=Gravacoes-de-um-discurso-amoroso&tl=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Roland_Barthes