Malagueta, Perus e Bacanaço

Por Felipe Araújo
O conto do escritor paulistano João Antonio, Malagueta, Perus e Bacanaço, consiste em uma narrativa sobre um noite na vida dos três malandros que dão título à história. O trio é formado por típicos malandros da São Paulo antiga, vagando pelos bairros da cidade em busca de uma oportunidade para fazer dinheiro. Ambos são bons na arte da sinuca e dela fazem seu ganha-pão.

João Antonio apresenta em seu conto algumas figuras marginalizadas da cidade como prostitutas, cafetões, enganadores, bêbados, entre outros. Entre os protagonistas há malagueta, o mais velho do trio que se passa por chefe, organizando os golpes. Seu apelido vem do vício em comidas apimentadas.

Em um dos trechos do conto, o escritor descreve Malagueta da seguinte forma: “O velho olhando o cachorro. Engraçado - também ele era um virador. Um sofredor, um pé-de-chinelo, como o cachorro. Iguaizinhos [...]”.

Já Perus, que leva o nome do bairro periférico onde mora, é o mais novo do trio, de certa forma persuadido por Malagueta e Bacanaço. Perus é talentoso na sinuca, por isso tem o resguardo da malandragem, que vê no rapaz uma forma fácil de conseguir uns trocados a mais.

No seguinte trecho, João Antonio descreve o garoto: “O menino Perus tem seu lugar de taco, confiança de alguns patrões de jogo caro, devido à habilidade que na sinuca logrou desenvolver nas difíceis bolas finas, colocadas em diagonal na mesa. O menino Perus mal e mal se agüenta – fugido do quartel, foge agora de duas polícias. A Polícia do Exército e a polícia dos vadios. Uma semana, muitas vezes, na Lapa. Nas bocas do inferno se defende, se arranja pelas ruas, trabalha nas conduções cheias, surrupia carteiras. Deixa ficar e fica uma semana. A mesma camisa, o mesmo sono, a fome de dias. A fome raiada [...]”.

Por outro lado, Bacanaço representa a figura do malandro na idade adulta, no auge da malandragem. Ele anda sempre bem vestido e, apesar de ser tão pobre quanto Malagueta e Perus, possui uma ginga, uma lábia que é capaz de enganar personagens experientes como policiais e outros malandros velhos.

Bacanaço é descrito da seguinte forma: “Bacanaço sustentava o paletó no antebraço, seus sapatos brilhavam, engraxados que foram outra vez, e a mão direita, manicurada, viajava para cima e para baixo, levando e trazendo um cigarro americano [...]”.

Fontes:
ANTÔNIO, João. Malagueta, Perus e Bacanaço. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/m/malagueta_perus_e_bacanaco_livro
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