O Banquete (Platão)

O Banquete (no original grego, Συμπόσιον – Simposion) é um texto filosófico de Platão, composto por volta de 385-380 a.C. Um dos grandes filósofos da Grécia antiga, Platão é considerado também o mais brilhante discípulo de Sócrates. Entre os seus trabalhos, há uma categoria chamada diálogos socráticos, constantes de suas primeiras obras, mas também nas de Xenofonte, que reproduzem as conversas que Sócrates tinha com outros cidadãos gregos, por meio das quais exprimia suas ideias filosóficas. Como Sócrates não deixou nenhum trabalho escrito, até onde se sabe, esses diálogos são praticamente os únicos elementos que temos para analisar o famoso método socrático de inquirição e saber um pouco mais sobre seu raciocínio.

No caso d’O Banquete, Platão não foi testemunha do diálogo, tendo conhecimento de seu conteúdo por meio de terceiros. Assim, a obra teria vários pontos criados pelo autor, não sendo completamente verídica do ponto de vista histórico. Assim como em A República, O Banquete tem lugar específico e público, identificável, a casa de Agatão (Agathon), discípulo de Sócrates. Ambos estão acompanhados de Fedro, Pausânias, Erixímaco, o médico e Aristófanes, autor famoso pelas suas peças cômicas. O tema principal é o amor, a amizade (philia).

Na prática, O Banquete não pode ser considerado um diálogo, sendo mais um duelo no qual os participantes pretendem realizar o melhor discurso sobre a amizade. Como em outras obras, Platão inicia esta do mesmo modo: alguns estão em caminho para a cidade quando são interrompidos por outros e se colocam a discutir determinado assunto. Desta mesma forma acontece em A República e em Fedro.

No Banquete, Apolodoro e seu companheiro, cujo nome não é revelado estão indo de casa, em Falero, para a cidade quando são interrompidos por Glauco, que queria informações a respeito da conversa de Agatão com Sócrates, Alcibíades e outros, no banquete em que proferiram vários discursos sobre o amor. Aristodemo, testemunha dos discursos, contou o que ali se passara para Apolodoro e esse, se empenha em relatar os fatos na presença do seu Companheiro e de Glauco. O que se passou na casa de Agatão é então relatado por Apolodoro. Sócrates chega por último, quando o banquete já estava pelo meio. Depois de tantas exposições a respeito de Eros no Banquete, começando por Fedro, depois Pausânias, Erixímaco, Aristófanes e Agatão, Sócrates bem o caracteriza, como compêndio da aspiração humana ao bem. A amizade, ou amor, representados pelo deus Eros não é o próprio belo e o próprio bem. Eros surge de duas oposições, a riqueza e a beleza, estando numa situação intermediária sem estar em qualquer oposto e extremo. A posição intermediária de Eros atribui-lhe movimento, sendo o mesmo movimento do homem em busca do bem supremo.

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