O Cemitério de Praga

Por Ana Lucia Santana
O genial escritor italiano Umberto Eco traz ao mercado editorial seu novo lançamento, O Cemitério de Praga, que será publicado no Brasil pela editora Record. Nesta obra o autor mescla os ingredientes mais improváveis para compor um enredo que combina bom-humor, momentos de meditação e os vastos conhecimentos que caracterizam este pensador.

No cenário parisiense, em março de 1897, desenrola-se uma trama que também percorre os territórios de Turim e Palermo. Nestas paisagens circulam uma adepta do satanismo emocionalmente perturbada, um prior que já faleceu duas vezes, alguns corpos jogados no esgoto de Paris, Ippolito Nievo, um seguidor de Garibaldi, levado pelas águas do oceano perto do Stromboli, o falso documento que incriminaria o oficial francês Alfred Dreyfus como espião da embaixada alemã na Cidade Luz, a divulgação dos inverídicos Protocolos dos Sábios de Sião, fonte de inspiração de Hitler na criação dos campos de concentração.

O leitor também encontra nestas páginas intrigas que contrapõem jesuítas e maçons, a sociedade secreta dos carbonários e seguidores de Giuseppe Mazzini, filósofo e político italiano, os quais assassinavam padres estrangulando-os com suas próprias tripas, a figura de um Garibaldi com artrite nas pernas oblíquas, projetos elaborados por agentes secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, a carnificina provocada pela Comuna de Paris, quando as pessoas se alimentavam de ratazanas ou eram apunhaladas.

Nesta época eram comuns as terríveis assembleias de bandidos, os quais consumiam absinto enquanto planejavam motins públicos. Desfilam igualmente pelo livro homens com barbas postiças, tabeliões de mentira, falsos testamentos, fraternidades malignas e missas negras.

Nesta narrativa eletrizante e inteligente qualquer coisa é possível, principalmente quando estão envolvidos serviços de inteligência, agentes que trabalham para os dois lados, militares infiéis e sacerdotes pecadores. Há um pouco de tudo nessa história, o que certamente vai satisfazer mesmo os leitores mais exigentes.

Há um pormenor decisivo neste livro: somente o protagonista é fictício; a fauna que circula pela obra de Eco existiu de verdade. Mas mesmo o personagem principal pode confundir o leitor, pois pratica atos reais, mas que foram, de fato, exercitados por outras pessoas. Desta forma, o autor revela que não se deve confiar nas aparências, pois nada é o que aparenta ser.

O escritor Umberto Eco nasceu em Alexandria, na Itália, no dia 5 de janeiro de 1932. Ele é também filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo de renome mundial. O autor ocupa como titular aposentado a cadeira de Semiótica da Escola Superior de Ciências Humanas na Universidade de Bolonha, na qual atua como diretor.

Ele escreveu como colaborador para inúmeros veículos da Academia e tem uma coluna fixa na revista L’Espresso. Entre suas obras destacam-se O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Umberto_Eco
http://pt.wikipedia.org/wiki/Le_bordereau
http://www.525news.com.ar/pr/index.php?option=com_content&view=article&id=51:elogios-para-o-prazer-&catid=20:el-libro&Itemid=1&layout=default&change_css=red
http://discussaoemtornodeumlivro.blogspot.com/2011/03/o-cemiterio-de-praga-umberto-eco.html