O Cortiço

Por Fernando Rebouças
“Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo.”

Romance naturalista escrito por Aluísio Azevedo, nascido em 1857, em São Luís. No fim do século XIX, vigorou o estilo Realismo-Naturalismo em obras que se opunham radicalmente contra a visão romântica, baseados em aliar Arte e Ciência.

A obra “O Cortiço” apresenta uma mostra da sociedade através de um cortiço habitado por vários tipos urbanos daquela época. O livro foi lançado em 1890, sem preocupação de expressar as disparidades sociais, buscando retratar o caráter e vícios humanos.

O próprio cortiço, cenário e espaço da história, é considerado o próprio protagonista. No desenrolar dos fatos, dois personagens chamam a atenção, João Romão e Jerônimo.

João Romão é um comerciante de herança, constrói habitações populares ao lado de sua venda e cada vez mais se torna mais ambicioso. Tem consigo Bertoleza, escrava de cama e mesa, que a dispensa para se casar com Zulmira, filha do Sr. Miranda, dono de um negócio de tecidos.

Jerônimo é um personagem que segue uma decadência financeira e familiar após conhecer a mulata Rita Baiana, torna-se irresponsável com a educação da filha e transforma-se num malandro carioca. Há no livro o retrato de personagens secundários, como por exemplo, Pombinha que após um casamento fracassado, é seduzida por Léonie, uma prostituta de luxo.

O cortiço cresce e após sofrer um incêndio é reconstruído, e torna-se numa honrada vila. Da mesma forma que o dono do cortiço, João Romão, se torna num aristocrata. O livro já foi adaptado para o cinema através do trabalho do diretor Francisco Ramalho Jr.

A obra está em domínio público e pode ser baixada no link a seguir: