O Harém de Kadafi

Por Ana Lucia Santana
A jornalista francesa Annick Cojean, enviada especial do jornal Le Monde, narra fatos aterradores e totalmente verídicos nesta obra polêmica e contundente. Nela o ex-tirano líbio Muammar Kadafi, assassinado em 2011, é retratado como um viciado em sexo, um homem que tinha uma natureza sexual irreprimível.

De acordo com relatos colhidos pela repórter, o ditador tinha uma sexualidade voraz que exigia ser saciada quatro vezes por dia. O antigo líder, que esteve à frente do governo de seu país durante 42 anos, violentou e manteve relações sexuais com inúmeras mulheres e vários homens.

Integravam seu harém: adolescentes escolhidas a dedo nos colégios líbios; jovens eleitas em cerimônias de casamento, muitas delas filmadas, incluindo muitas vezes a própria noiva; ministros de sua equipe, oficiais, artistas, jornalistas, filhas de generais e esposas de dirigentes e diplomatas do continente africano. No caso destas damas da elite, algumas eram realmente estupradas, enquanto outras concordavam com o ato sexual em troca de joias e muito dinheiro.

Ao conhecer uma estudante, em visita a uma escola, Kadafi roçava a cabeça de sua preferida, um gesto batizado de ‘toque mágico’. Em seguida seus seguranças, cientes do significado deste sinal, providenciavam o rapto destas garotas, todas com idades que variavam entre 13 e 15 anos.

Elas se tornavam suas prisioneiras sexuais e eram utilizadas para satisfazer sua ferocidade sexual. O tirano as ocultava no andar inferior de sua mansão, uma fortaleza militar localizada em Bab al-Azizia. Aí ele as forçava a fazer sexo, a ingerir álcool e entorpecentes e a ver produções pornográficas.

Annick afirma em seu livro que o ditador contratava servidores especialmente para buscar meninas e garotos em toda parte. Vários de seus conterrâneos evitavam atrair sua presença nas festividades para assim impedir que suas filhas fossem seqüestradas e depois estupradas pelo presidente sanguinário.

Kadhafi chegava ao ponto de forçar seus ministros a se relacionarem sexualmente com ele para mais tarde manipulá-los através de uma forma de coação política. Obviamente todos cediam diante de suas ameaças, pois não queriam se sujeitar à degradação pública. O déspota atuava assim também com líderes tribais, representantes oficiais de outros países e militares, pois assim detinha o poder necessário sobre cada um deles. Assim, o sexo também era uma espécie de instrumento bélico para o tirano.

Segundo a jornalista, que tem entre suas fontes alguns dos que sofreram estes abusos, educadores, médicos e antigos auxiliares de Kadafi, este trágico harém ainda é um tema proibido, pois mesmo após o assassinato do antigo ditador suas presas ainda serão prejudicadas se suas identidades vierem a público, pois a opressão da sociedade e das instituições religiosas é muito intensa. Estas pessoas com certeza seriam renegadas, bem como seus familiares, principalmente os homens, por não terem derramado o sangue do ditador em conseqüência de seus abusos.

Annick Cojean nasceu na região da Bretanha, em terras francesas, no ano de 1957. Ela é jornalista, enviada internacional do Le Monde. E também preside o júri do Prêmio Albert Londres, o qual conquistou em 1996. A autora é uma das jornalistas mais conceituadas da mídia francesa. Esta é sua quinta publicação.

Fontes:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/10/livro-descreve-suposto-uso-de-sexo-como-arma-de-poder-por-khadafi.html
http://www.veruseditora.com.br/autores_detalhes.cfm?id_autor=156