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O Risco do Bordado

O risco do bordado é um dos livros escritos por Autran Dourado em meados de 1970. O início da história se dá com a volta de João a sua cidade natal, Duas Pontes, em Minas Gerais. A história não é linear ao contrário têm idas e vindas, ou seja, lembranças do passado, onde recordar é viver a comoção. O desenrolar da história se dá em sete blocos memorialistas, uma história sai da outra, uma narrativa em círculo, mostrando o labirinto dentro de João ou no espaço do contexto. Mostra a fusão do tempo dentro do tempo, já que o ponto fundamental é a recordação dos tempos.

Por meio do olhar e recordações o enredo vai se construindo, compondo a vida na cidade, o mundo de João, sua família, seus amigos, as pessoas da cidade e assim as emoções de João.

João no decorrer perde sua meninice, entra pela adolescência com lembranças de uma paixão adolescente de Terezinha Virado, uma prostituta da Casa da Ponte, mas esta paixão não é a última, outra mulher importante surge em sua vida, Valentina é uma menina de circo que ele acaba usando para mostrar aos amigos que é homem. E assim surge Tia Margarida, mulher moça velha, e com ela surge a sensualidade retraída. O proibido se mostra a todo o momento, junto com sentimento de culpa e remorso, a busca da identidade, o aparecimento das coisas escondidas, as revelações instantâneas, as cristalizações da memória.

Lembrar acaba sendo o velar e o desvelar. Lembrar é desvelar o velado. Os opostos vão estar em todo o livro:

• Ser e não ser;
• Dizer e calar;
• Dito e não dito.

Em termo de estrutura o livro está escrito em 3ª pessoa, porém uma falsa 3ª pessoa já que a narrativa recaí em uma 1ª pessoa (narrativa da memória). A narrativa se encontra em tempo diferente (é o meio da passagem da memória), este tempo da abertura para a mudança existencial do personagem, a mudança da visão do mundo e com a visão da montagem do Risco do Bordado.

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