Um Dia: Vinte Anos, Duas Pessoas

Por Ana Lucia Santana
Esta é realmente uma narrativa muito original. Tudo tem início em 15 de julho de 1988, quando Dexter Mayhew e Emma Morley se encontram pela primeira vez; neste dia eternamente especial os dois vivem o momento mais significativo de suas vidas, algo que se tornará para sempre inesquecível.

Eles sabem que em 24 horas a entrega do diploma universitário encerrará um estágio importante na sua jornada existencial, e que após esse momento cada um seguirá um caminho diferente. Mas, depois do dia 15 de julho, é simplesmente impossível apagar das lembranças cada cena vivenciada neste encontro.

O tempo passa e ambos seguem suas vidas por caminhos bem distintos daqueles com os quais sonhavam. Mas, por outro lado, como um fruto inevitável do primeiro encontro, nasce um incrível relacionamento entre eles, o qual se perpetua sempre no dia 15 de julho.

O leitor deve imaginar que este é somente mais um romance açucarado, mas se surpreenderá se deixar de lado os preconceitos e enfrentar suas 416 páginas, pois o autor revela aqui como é possível um sentimento sobreviver à passagem do tempo, principalmente quando é o resultado de um dia especial vivido na juventude. David também se concentra em desvendar as consequências dessa relação afetiva na vida de Dexter e Emma.

Talvez o fato de abordar este relacionamento de um ponto de vista realista, mostrando a vida exatamente como ela é, com o casal experimentando conflitos e discussões, expectativas e chances desperdiçadas, alegrias e tristezas, altos e baixos, remorsos e lembranças, contribua para que o leitor se identifique e seja cativado por sua narrativa.

Ao longo de vinte anos os caminhos dos personagens se cruzam e distanciam; em alguns momentos eles são compelidos a se reencontrar anualmente, no mesmo dia mágico, e em outros ficam anos sem se ver. Cada capítulo do livro enfoca um determinado dia 15 de julho e, pouco a pouco, o autor vai revelando o que há realmente de tão especial no primeiro encontro.

À medida que este mistério vai sendo decifrado o casal é impelido a um ajuste de contas com a verdadeira natureza do amor e da própria existência. É incrível perceber como este sentimento não é por momento algum esquecido. A princípio a narrativa parece se arrastar um pouco, mas logo conquista o leitor, que não se detém até atingir a última linha.

Um Dia: Vinte Anos, Duas Pessoas logo se tornou um fenômeno de vendas na Inglaterra, o ‘queridinho’ dos leitores e dos críticos. Não demorou muito para que o próprio escritor convertesse o livro em um roteiro cinematográfico conduzido pela diretora dinamarquesa Lone Scherfig, que traz também em seu currículo o elogiado ‘Educação’. Anne Hathaway viverá a protagonista, Emma Morley.

David Nicholls nasceu em Eastleigh, Hampshire, no ano de 1966. Antes de enveredar pela literatura ele tentou a esfera teatral. Escreveu também roteiros para a TV, como a terceira temporada de Cold Feet. É de sua autoria igualmente a bem-sucedida visão moderna da obra de Shakespeare, Much Ado About Nothing, produzida para a BBC.

Fontes:
http://nomundodoslivros.blogspot.com/2011/05/um-dia-de-david-nicholls.html
http://www.umdia.com.pt/autor/
http://gossinp.blogspot.com/2011/05/pre-venda-dia-um-vinte-anos-duas.html