Por mausim |
Os consonantes são os que normalmente se aprendem primeiro. Os dissonantes são usados por instrumentistas de técnica avançada.
Os primeiros são, isoladamente, mais agradáveis ao ouvido, de modo que reconfirma o aprendizado primeiramente por eles.
Isoladamente, por sua vez, os dissonantes parecem totalmente 'desafinados', isto é, fora da combinação melódica e harmônica de uma música.
Entretanto, caso queira se fazer uma experiência, num braço de violão por exemplo, é muito mais fácil executar um acorde dissonante pressionando-se as cordas em pontos aleatórios do que um consonante, uma vez que os consonantes obedecem sempre a uma regra fixa, ao passo que os dissonantes tem muita liberdade na entrada de tons que os compõem.
Os consonantes são suficientes para se executar qualquer música, mas o uso dos dissonantes enriquece a peça musical. As sutilezas dos acordes dissonantes dão um tempero a mais à composição total.
Há regras para os dissonantes, mas não são muito claras. Há algumas, e eu não sei quais são; mas há.
Nos consonantes é bem simples. Para se fazer um acorde de dó-maior, ou si-menor, ou sol-maior, sempre se usa a mesma regra.
Assim, só necessitamos guardar duas seqüências numéricas: 4 -> 7 para tons 'maiores' e 3 -> 7 para os 'menores'.
Fá-maior é composto de 4-7 e, Fá-menor, 3-7; assim como quaisquer outros.
Mas o que é isto, '3-7' e '4-7'?
É a distância entre uma nota e outra, ou seja, os intervalos entre as notas.
Vamos ver o nome das notas:
Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si
No violão, que é o instrumento mais popular e fácil de verificar isto, cada traço que existe no braço do instrumento significa meio-tom.
Tom é a distância entre dois traços (trastes).
Então, de Dó para Ré, há 2 traços. Tomando como referência o ponto em que a corda vibrada é Dó, subindo em direção à boca do violão duas 'casas' encontra-se o Ré.
Mas qual o nome damos à nota que fica no 'traste' imediato ao Dó?
Ele se chama Dó-sustenido, e se representa por Dó#.
Um semitom, no violão, é um traste além do traste anterior.
Sustenido é o nome que se dá a este semitom para quase todas as notas, exceto às notas Mi e Si.
Assim, sucessivamente, o traste além do Ré, o pegado a ele, é Ré-sustenido (Ré#).
Mas cuidado, de novo: Mi não tem sustenido; Si também não sustenido!
Sabe por quê? Porque na natureza, se você for ferindo a corda a partir de Dó e ir subindo até Si, a última nota, verá que o 'gostoso' de ouvir os sons paulatinos acontece de dois em dois trastes, exceto quando você passa da nota Mi e da nota Si, se você continuar a pular de dois em dois seus toques.
Logo após ao Mi e ao Si a coisa desafina.
Após o Mi você consegue uma boa sonoridade na escala agradável se avançar um traste apenas. A partir dele, dois trastes são exigidos para continuar em direção a Si.
Quando você atinge o Si nada impede de você continuar avançando na direção da boca do violão.
Além do Si você retoma a nota Dó para começar tudo de novo. Esta repetição das notas, agora mais agudas na execução do som, é que significa 'uma oitava mais alta'.
Além do Si, você também irá ferir a musicalidade, se tentar continuar indo de dois em dois trastes.
Mi e Si não tem sustenidos. Após o Mi é Fá; após o Si é Dó (começando uma escala nova, uma oitava nova; acima).
O acorde de Dó-maior é formado pelas notas
Dó, Mi, Sol.
O acorde de Ré-maior é formado pelas notas
Ré, Fá#, Lá.
O acorde de Lá-maior é formado pelas notas
Lá, Dó#, Mi.
Todos estes obedecem à regra '4-7', por serem 'maiores'. Vamos ver o por quê?
Primeiramente que isto não é arbitrário: é a natureza que é assim. Segundo, só deduzimos isto observando a matemática da coisa.
Vamos ao primeiro acorde maior: Dó-maior.
Entre Dó e Mi há 4 semitons:
De Dó para Dó#, de Dó# para Ré, de Ré para Ré# e de Ré# para Mi;
Entre Sol e Dó há 7 semitons:
De Dó para Dó#, de Dó# para Ré, de Ré para Ré#, de Ré# para Mi, de Mi para Fá, de Fá para Fá# e de Fá# para Sol.
Se você fixar a primeira nota (tônica), aquela que dá o nome ao acorde e contar quantos trastes existem até encontrar a segunda nota, verá que tem 4 traços; se continuar tendo a primeira como base, vai encontrar 7 traços distante para a terceira nota do acorde em tom maior.
Assim, é fácil saber a composição de cada acorde. É só fazer assim.
a) Numere todas as notas e seus sustenidos. Quando terminar a sétima nota, a Si, continue escrevendo as notas para uma nova oitava e continue numerando todos os semitons encontrados.
Assim, teremos.
Dó=1
Dó#=2
Ré=3
Ré#=4
Mi=5
Fá=6
Fá#=7
Sol=8
Sol#=9
Lá=10
Lá#=11
Si=12
'continunando na próxima oitava
Dó=13
Dó#=14
Ré=15
Ré#=16
Mi=17
Fá=18
Fá#=19
Sol=20
Sol#=21
Lá=22
Lá#=23
Si=24
Como seria então, o acorde de Sol-menor?
No caso, teremos de usar a combinação 3-7, que dá os acordes em tom menor.
Na nossa referência acima, Sol ganhou o número 8.
Como teremos de usar a seqüência que calcula um tom em menor (queremos Sol-menor), então vamos procurar a outra nota. No caso, seria 3 notas além (regra 3-7):
A segunda então será a nota 8 + 3 (posição da nota Sol, mais o primeiro número da regra), que é a nota = 11.
A nota 11 na nossa escala é a nota Lá# (Lá-sustenido).
A terceira nota procurada é 7 a mais do que a tônica.
Logo, 8 + 7 = 15.
A referência à nota 15 é a nota Ré.
Então, o acorde de Sol-menor ficou
Sol-Lá#-Ré.
Se fosse acorde de Sol-maior, seria
Sol-Si-Ré.
Veja que mudou apenas a nota intermediária, pois agora usamos, em cima da tônica, a regra '4-7'.
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