O uso da tecnologia e adaptação metodológica do ensino da matemática básica para o aluno surdo

¹ Alcides Inácio Sousa Simião
² Jonas Fernandes Costa

Resumo

O objetivo deste artigo é demonstrar a aplicabilidade de um software que facilitará o ensino da matemática básica para o aluno surdo, com a utilização das cores e dos padrões de supressão de informações para objetivar o entendimento das nuances dos cálculos matemáticos, trazendo também uma amostragem sobre a analise da aplicação e o resultado esperado, no entanto sem desobrigar a formação do profissional docente na área do conhecimento da língua de Sinais.

Palavras-chave: Ensino da matemática Básica, software, cores, libras

Introdução

A inclusão educacional da pessoa surda tem sido a partir de diversos ângulos, um entrave nas redes de ensinos, mesmo com a obrigatoriedade legal e a reivindicação constante das comunidades surdas brasileiras em garantir a educação na sua própria primeira língua a LIBRAS e a sua segunda língua a oficial do país na modalidade escrita, no caso do Brasil a língua portuguesa, existe portanto a necessidade de uma perspectiva de educação voltada para a inclusão desse aluno.

No Brasil a educação do surdo nos diversos ambientes educacionais recebe o apoio do profissional interprete de Libras, porem existe a necessidade de ampliar a atuação desse profissional pois ainda encontramos uma defasagem muito grande na relação alunos surdos x salas de aula x profissional interprete, ainda na tendência desta indicação temos os profissionais e toda a rede escolar sem a devida preparação para proporcionar um ambiente adequado para este aluno e que Legalmente deveria ter toda essa estrutura disponível assim como todos os demais alunos.

Diante de todos os desafios pontuados, ainda decorremos da dificuldade comum a todos que é o aprendizado da matemática, a ocorrência deste fato sugere que em alguns casos a estratégia adotada pelo profissional em educação remete a essa aversão que o próprio aluno adquiri seja por falta de interesse ou por não entender a disciplina criando desta maneira o obstáculo psicológico no aprendizado.

O software ©Matematicando traz uma ferramenta de acesso aos cálculos iniciais básicos da matemática, usando de maneira lúdica o jogo eletrônico como ferramenta de ensino e diversão, sendo uma proposta que incentivará de maneira visual a aquisição dos conceitos da matemática de maneira divertida.

1. Na sala de aula

Em quase toda sua totalidade o ambiente escolar não propicia o acesso ao aluno surdo, desconsiderando sua cultura e lingua, isso decorre desde sua entrada na instituição escolar ate a sua saída, esta realidade repercute de maneira mais incisiva na sala de aula, principalmente na comunicação do professor e o aluno, Fernandes(2011. p. 107), faz essa analise principalmente na dificuldade que a falta do uso da metodologia adequada gera para a criação de vínculos entre os atores principais desse ambiente.

“É inquestionável que a maioria dos professores, na quase totalidade das escolas, emprega como metodologia a exposição oral e utiliza como recurso material o quadro de giz. Do mesmo modo, as situações de interação entre professores e alunos e entre os próprios alunos são mediadas apenas pela lingua oral, desconsiderando-se as dificuldades e o pouco conhecimento dos Surdos em relação a essa forma de comunicação” (FERNANDES, 2011 p. 107).

2. Estratégias em sala de aula

Dentro do ambiente escolar, o profissional educacional pode utilizar-se de várias estratégias as quais podem subsidiar o acesso a informação do aluno Surdo, porem nunca deixar de lado a comunicação na língua de sinais como ferramenta principal de interação, viabilizando o aprendizado.

“Por esse processo de educação linguística da comunidade escolar estar em construção, já que demanda uma serie de ações a longo prazo, é fundamental que algumas estratégias metodológicas e de organização do ambiente de sala de aula[...] sejam utilizadas para facilitar a interação/comunicação entre todos” (FERNANDES, 2011 p.108).

Os alunos sejam surdos, ouvintes ou de qualquer especificidades sugere um agir motivacional do docente dentro da sala de aula , ou numa extensão da mesma que poderá ocorrer em outros ambientes, devendo ao gestor da sala compreender que a estimulação necessária para o aprendizado advém das diversas metodologias onde os quais os elementos didáticos devem ser explorados sempre de maneira incessante na busca deste elo de comunicação educacional para o desenvolvimento do aluno.

“As formas de trabalho docente designam um agir que possa ser interpretado e que mobilize ou explicite, por meio de discursos, as dimensões motivacionais, ou seja, as razões do agir, os objetos de ensino e os instrumentos didáticos disponíveis para a realização do agir. (BENTES and. Hayashi. 2012 p.172).

3. A tecnologia no aprendizado da matemática

A tecnologia deve ser aproveitada no sentido a dar mais incentivo quanto as necessidades de educar de maneira visual e divertida, despojando a disciplina matemática do estereotipo de dificultosa, mas ao contrario disso dar uma ênfase ao desafio visual da conquista, com a utilização de metodologias de imagens com ações que tornem a busca mais interessante saindo assim da antiga fase de escrita inanimada para resolução e conhecimento.

“[...] escola, mais do que nunca, precisa se apropriar das novas linguagens audiovisuais e informáticas, bem como de suas interfaces, para atender as constantes exigências do mundo que por sua vez, requer uma sintonia cada vez mais afinada com o conhecimento [...] a escola é, especialmente, o lugar onde tudo isso pode ser sentido e vivido, como reflexo das sociedades em que os jovens estão inseridos (BETTEGA, 2010. P. 15).”

3.1 Matematicando

É um jogo educativo desenvolvido para dispositivos moveis (mobile) , o qual trabalha com as operações básicas ( Soma, Subtração, Multiplicação e Divisão) buscando inserir o entretenimento ao ensino da matemática, através deste jogo serão aplicados atividades lúdicas, a cromoterapia na utilização de cores no auxilio de encontrar respostas, e a neurolinguística onde as respostas são dispostas em posições de giro da esquerda pra direita e vice versa, assim como de cima para baixo exercitando os dois lados do cérebro. (FONTE - http://inteceleri.com.br/).

Funcionamento Aplicação Resultado esperado
É um jogo educativo
desenvolvido para
dispositivos moveis
(mobile), o qual trabalha
com as operações básicas
(Soma, Subtração,
Multiplicação e Divisão)
buscando o ensino da
matemática.
Através deste jogo serão
aplicados atividades
lúdicas, a cromoterapia na
utilização de cores no
auxilio de encontrar
respostas, e a
neurolinguística onde as
respostas são dispostas
em posições de giro da
esquerda pra direita e vice
versa, assim como de
cima para baixo
exercitando os dois lados
do cérebro.
Conhecimento dos
princípios básicos dos
cálculos com uso de cores.

(FONTE - http://inteceleri.com.br/).

Considerações finais

Os desafios de ensinar a disciplina matemática para o aluno Surdo, necessita de uma busca incessante de metodologias e ferramentas de apoio para que essa aprendizagem tenha sua visão modificada do abstrato para o concreto como advém os cálculos, diante dessa busca pela prática na obtenção dos resultados, as tecnologias são aliadas em fornecer as diversas opções e ambiente virtual de atuação.

A viabilização da utilização de softwares deve ser acima de tudo de maneira planejada, com a formação dos professores na ferramenta e na língua do aluno surdo, sendo a Libras sua língua de atuação justamente para tornar o acesso ao aprendizado em sua totalidade. O aluno Surdo necessita acima de tudo aprender em sua língua, equivalência essa que deve ser tomada para cada aluno independente de sua condição física ou de qualquer especificidade.

As tecnologias são aliados quanto a necessidade de suprimir as dificuldades de acesso do aluno Surdo e também das demais especificidades, principalmente na contextualização visual onde o acesso torna-se mais eficaz, mas para alcançar este intento a ferramenta principal precisa ter um olhar voltado a sua formação e preparação para esta nova etapa “ o professor “.

¹ Mestrando do Curso Ciências da Educação Brasileira, Tecnólogo em Redes de Computadores, Especialista em Tradução e Interpretação de Libras, Especialista em Libras – Docência, Professor de Libras e tecnologias Educacionais.

² Dr. Em Ciências da Educação.

Referências bibliográficas:

BETTEGA, Maria H. S. Educação Continuada na era digital, 2º ed. São Paulo: Cortez, 2010..

BENTES, José Anchieta de Oliveira; HAYASHI, Maria Cristina Piumbato Innocentini. Normalidade e disnormalidade: formas do trabalho docente na educação de surdos. Campina Grande: EDUEPB, 2012.

FERNANDES, Sueli. Educação de surdos, 2º ed. Atual – Curitiba: Ibpex, 2011.

https://www.ucb.br/sites/100/103/TCC/22009/MariaClaradeMeloMagalhaesSouza.pdf acessado em 01/12/2015.

https://periodicos.ufsc.br/index.php/revemat/article/viewFile/10.5007-1981-1322.2011v6n1p31/21261 acessado em 01/12/2015.

http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/3601_1977.pdf acesso 04/12/2015.

http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/95906/000911644.pdf?sequence=1 acesso 01/12/2015.

http://www.pucrs.br/famat/viali/tic_literatura/artigos/computador/USOINTELIGENTE.pdf

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