Medicina tropical

Graduação em Biologia (CUFSA, 2010)
Especialização/MBA em Análises Clínicas (Uninove, 2012)

A medicina tropical é um campo da medicina que nasceu no fim do século XIX e descreve as doenças que ocorrem em regiões tropicais e são transmitidas por vetores intermediários, que são os insetos, os moluscos ou os vermes. O pai dessa ciência é o médico inglês Patrick Mason, que descreveu a importância dos vermes na filariose (elefantíase) e que, mais tarde, estimulou os trabalhos de Ross sobre o papel do mosquito na transmissão da malária. Assim, países Europeus começaram a investigar a origem de tais doenças, inicialmente a malária, que impediam a colonização de regiões tropicais como o sudeste da Ásia e a Índia. Inicialmente, a medicina tropical tinha como objetivo declarado tornar os trópicos habitáveis e rentáveis para os europeus e norte-americanos.

O foco da medicina tropical são as doenças infecciosas e parasitarias cuja incidência é maior nos trópicos e que costumam ser endêmicas de determinadas regiões. Entre as doenças estão incluídas a malária, úlcera de buruli, doença de Chagas, cisticercose, dengue, dracunculíase (doença do verme-da-guiné), equinococose, fasciolose, tripanossomíase africana (doença do sono), leishmaniose, hanseníase, filariose linfática, oncocercose, raiva, esquistossomose, parasitoses (helmintíases) transmitidas pelo solo, tracoma, bouba, tuberculose, febre amarela e a leptospirose. Além do clima tropical, que facilita a disseminação dos vetores das doenças, a transmissão é facilitada pelas condições socioeconômicas das pessoas expostas.

Essas doenças acometiam principalmente as regiões rurais, mas com o passar do tempo, e até hoje, as populações rurais migraram para as grandes cidades, que por sua vez acabam não comportando todas as populações excedidas que acabam habitando áreas de risco, muitas vezes sem saneamento básico e com grande número de pessoas em um pequeno espaço. Com isso as doenças antes controladas devido às melhorias de saneamento e higiene, ressurgiram.

Um grande exemplo desse cenário é a leptospirose, doença que ocorria predominantemente em áreas rurais e hoje é um problema de saúde pública nas grandes cidades, devido aos problemas de saneamento como à falta de esgoto, coleta de lixo e inundações que favorecem a proliferação de ratos, que são os agentes transmissores da doença. A maioria das infecções por leptospirose ocorre através do contato com águas de enchentes contaminadas por urina de ratos. Em países mais desenvolvidos, com infraestrutura de saneamento mais adequada, a população está menos exposta a esse tipo de infecção.

Como essas doenças estão relacionadas às condições socioeconômicas, programas de prevenção ligados ao saneamento básico são umas das melhores maneiras de prevenir a ocorrência. As condições socioeconômicas continuam sendo o grande desafio que a medicina tropical enfrenta. Vale ressaltar que a febre amarela é a única doença tropical que possui um sistema de prevenção, a partir da vacinação e para a malária e tuberculose existe um esforço dos governos para o tratamento, mas ainda assim, a incidência dessas doenças é alta.

Bibliografia:

LÖWY, I. Vírus, mosquitos e modernidade: a febre amarela no Brasil entre ciência e política [online]. Tradução de Irene Ernest Dias. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2006. 427 p. História e Saúde collection. ISBN 85-7541-062-8. Available from SciELO Books.

http://www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1585&sid=32

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