Desmatamento da Caatinga

Por Fernando Rebouças
De toda a cobertura vegetal da Caatinga, somente a metade é original. No ano de 2008, a vegetação remanescente era estimada em 53,62 %. O único bioma exclusivamente brasileiro foi monitorado entre os anos de 2002 e 2008.

Nesse período, o monitoramento detectou uma devastação territorial  de 16.576 km², referente a 2 % de todo o bioma. A taxa média de desmatamento ficou registrada em 0,33 % ao ano, cerca de 2.763 km².

Os dados foram divulgados em março de 2010, pelo ministro do meio ambiente, Carlos Minc. O Ministério do Meio Ambiente considerou os números altos demais , o intenso desmatamento na Caatinga deixa a área vulnerável à desertificação e efeitos de mudanças climáticas.

Umas das principais causas do desmatamento na Caatinga é a extração de mata nativa para a produção de lenha e carvão vegetal destinado às fábricas gesseiras, de cerâmica do Nordeste e ao setor de produção siderúrgica dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Além da extração de mata nativa, há o plantio de insumos vegetais para biocombustíveis e criação de bois.

Para superar a situação o Ministério do Meio Ambiente acredita que uma das solução é planejar uma nova matriz energética para a região, implementando a produção de energia eólica, gás natural e pequenas hidrelétricas. Sobretudo, é necessário um projeto de recuperação dos solos, reflorestamentos e a oferta de créditos que combatam a desertificação.

O ministro pronunciou o projeto do Banco do Nordeste em criar um novo fundo de recuperação do bioma, o Fundo Caatinga contra a desertificação. Há também o projeto de destinar uma verba de 500 milhões reais ao Fundo Clima, a verba seria oriunda do Pré-Sal. O Ibama pretende reforçar uma frente de 25 operações para combater o desmatamento e a produção de carvão ilegal.

A Caatinga está presente nos estado da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. Os campeões de desmatamento são Bahia e Ceará, respectivamente. Os municípios que mais desmataram, foram as cidades cearenses de Acopiara, Tauá, Boa Viagem; as cidades baianas de Bom Jesus da Lapa, Campo Formoso, Tucano, Mucugê; e a cidade Serra Talhada, de Pernambuco.

Como principal consequência à região Nordeste é a perda de um terço de sua economia até 2100. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, propôs ao governo do Piauí a criação de uma importante unidade de conservação da Caatinga nas Serras Vermelha e da Confusão.

O mapeamento foi realizado por 25 técnicos do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Fontes:
http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=5593
http://www.nordestecerrado.com.br/caatinga/