Neutralização de Emissões
A neutralização de emissões de gases causadores de efeito estufa através de projetos de captura/redução destes gases ou plantio de árvores virou moda no mundo todo.
De pop stars em turnês mundiais a grandes corporações a moda do “zero carbono” pegou e até mesmo você, leitor, pode “neutralizar” suas emissões de carbono através de empresas que oferecem o serviço por meio de sites especializados.
Para explicar, de uma maneira geral, como funciona o esquema da neutralização, usemos como exemplo uma indústria qualquer: primeiro, ela deve fazer o cálculo da quantidade de gases GEE (gases de efeito estufa, também chamados de Greenhouse gas) que emite no período que quer neutralizar (um ano, ou a duração do projeto que quer neutralizar); em seguida é feita uma avaliação para saber onde e quanto é possível reduzir de emissões de GEE e executa as reduções possíveis; por último é feita a compensação daquilo que não foi possível reduzir através de investimentos em projetos que façam a captura/redução de GEE, ou pelo plantio de árvores (que realizarão essa captura de GEE).
Mas, há quem duvide sobre a real eficiência deste tipo de projeto para o meio ambiente.
Em primeiro lugar, as empresas ou pessoas que queiram neutralizar seus negócios ou atividades não precisam, necessariamente, reduzir emissões. Quem pode arcar com os custos, neutraliza mais e não reduz nada. Isso acaba fomentando uma certa comodidade, uma vez que você não precisa mudar seu modo de agir e pensar, simplesmente paga, deflagrando a falsa idéia de que é possível garantir a sustentabilidade do planeta sem mudar nosso padrão de consumo e modo de vida.
Sem contar que, desta forma, a neutralização de emissões virou mais um meio de promover marcas através do slogan de “sustentabilidade” do que uma iniciativa tomada de forma consciente por empresas realmente preocupadas e comprometidas. É o caso dos veículos de comunicação (TV, rádio...) que neutralizam um ou outro programa, mas continuam veiculando propagandas que incentivam o consumismo e o desperdício.
Em segundo lugar, o tipo de neutralização mais “popular” é através do plantio de árvores que, principalmente neste caso, precisa de tempo para acontecer. As árvores tanto quanto capturam GEE (gás carbônico), também o geram através de sua própria respiração celular. Logo, para que haja uma efetiva captura de GEE pelo método de plantio de árvores que justifique o selo de neutralização, são necessários, em média, 10 anos de vida das árvores plantadas. Tempo que varia muito de acordo com a quantidade de GEE que se quer neutralizar e outros fatores como densidade da madeira da árvore, espessura do tronco, tamanho, condições de plantio e etc.
Neste caso, ainda persiste outra dúvida: a garantia de que as árvores foram mesmo plantadas e de que se foram, continuem lá pelo tempo necessário para capturara da quantidade necessária de GEE. E, ainda se existem medições que comprovem a real captura da quantidade de gases neutralizada.
De modo geral, a idéia de neutralização (reduzir emissões onde possível, e depois capturar/reduzir investindo em outros projetos) é boa, pois cria meios de financiamento para projetos ambientais e já é um primeiro passo na tentativa de mudar um paradigma (ao menos serviu para popularizar o assunto...). O que falta é uma fiscalização adequada de todos os projetos relacionados com o fim de evitar falsas propagandas e uma garantia de que tais neutralizações venham acompanhadas de uma mudança real de consciência.
De pop stars em turnês mundiais a grandes corporações a moda do “zero carbono” pegou e até mesmo você, leitor, pode “neutralizar” suas emissões de carbono através de empresas que oferecem o serviço por meio de sites especializados.
Para explicar, de uma maneira geral, como funciona o esquema da neutralização, usemos como exemplo uma indústria qualquer: primeiro, ela deve fazer o cálculo da quantidade de gases GEE (gases de efeito estufa, também chamados de Greenhouse gas) que emite no período que quer neutralizar (um ano, ou a duração do projeto que quer neutralizar); em seguida é feita uma avaliação para saber onde e quanto é possível reduzir de emissões de GEE e executa as reduções possíveis; por último é feita a compensação daquilo que não foi possível reduzir através de investimentos em projetos que façam a captura/redução de GEE, ou pelo plantio de árvores (que realizarão essa captura de GEE).
Mas, há quem duvide sobre a real eficiência deste tipo de projeto para o meio ambiente.
Em primeiro lugar, as empresas ou pessoas que queiram neutralizar seus negócios ou atividades não precisam, necessariamente, reduzir emissões. Quem pode arcar com os custos, neutraliza mais e não reduz nada. Isso acaba fomentando uma certa comodidade, uma vez que você não precisa mudar seu modo de agir e pensar, simplesmente paga, deflagrando a falsa idéia de que é possível garantir a sustentabilidade do planeta sem mudar nosso padrão de consumo e modo de vida.
Sem contar que, desta forma, a neutralização de emissões virou mais um meio de promover marcas através do slogan de “sustentabilidade” do que uma iniciativa tomada de forma consciente por empresas realmente preocupadas e comprometidas. É o caso dos veículos de comunicação (TV, rádio...) que neutralizam um ou outro programa, mas continuam veiculando propagandas que incentivam o consumismo e o desperdício.
Em segundo lugar, o tipo de neutralização mais “popular” é através do plantio de árvores que, principalmente neste caso, precisa de tempo para acontecer. As árvores tanto quanto capturam GEE (gás carbônico), também o geram através de sua própria respiração celular. Logo, para que haja uma efetiva captura de GEE pelo método de plantio de árvores que justifique o selo de neutralização, são necessários, em média, 10 anos de vida das árvores plantadas. Tempo que varia muito de acordo com a quantidade de GEE que se quer neutralizar e outros fatores como densidade da madeira da árvore, espessura do tronco, tamanho, condições de plantio e etc.
Neste caso, ainda persiste outra dúvida: a garantia de que as árvores foram mesmo plantadas e de que se foram, continuem lá pelo tempo necessário para capturara da quantidade necessária de GEE. E, ainda se existem medições que comprovem a real captura da quantidade de gases neutralizada.
De modo geral, a idéia de neutralização (reduzir emissões onde possível, e depois capturar/reduzir investindo em outros projetos) é boa, pois cria meios de financiamento para projetos ambientais e já é um primeiro passo na tentativa de mudar um paradigma (ao menos serviu para popularizar o assunto...). O que falta é uma fiscalização adequada de todos os projetos relacionados com o fim de evitar falsas propagandas e uma garantia de que tais neutralizações venham acompanhadas de uma mudança real de consciência.
| Autores: Caroline Faria Categorias: Meio Ambiente | Indústria | ||
![]() | Data: 12/06/2008 | Avaliação: ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |



