Realismo Português

Por Fernando Rebouças
O livro de poemas “Odes modernas”, do poeta Antero e Quental, é considerado o marco inicial do Realismo português em 1865. O realismo português cronologicamente durou cerca de 25 anos, período marcado por renovações ideológicas, culturais, políticas, científicas e artísticas.

Toda a Europa viveu neste período um processo de transformações, o país lusitano iniciou um processo de desmoronamento de valores antigos e a aceitação de valores e referências modernas. Este conflito de valores gerou a polêmica “Questão Coimbrã”.

Os românticos e escritores pré-realistas criticavam a postura dos autores realistas, classificando-os de exibicionistas e por tratarem de assuntos impróprios à poesia tradicional em seu todo. Os jovens autores de Coimbra iniciaram uma oposição ao românticos, um deles era Antero de Quental.

Antero de Quental, líder do grupo de Coimbra, respondia e questionava os velhos escritores românticos, um dos alvejados era o escritor Castilho. A rixa era expressa em folhetins de acusações mútuas.

Os princípios básicos da nova geração foram registrados em palestras que discutiam sobre as novas idéias, a literatura e cultura de Portugal. O grupo realista ficou conhecido como geração 70, e tiveram que enfrentar restrições e perseguições das autoridades portuguesa.

A poesia realista portuguesa apresenta três tendências :

- Poesia de divulgação – A poesia era um veículo usado para divulgar idéias revolucionárias e reformistas;

- Poesia do cotidiano – Procurava expor a realidade material do dia-dia das pessoas;

- Poesia metafísica – Poesia que relacionava-se com a preocupação em questões filosóficas.

Além de Quental, Eça de Queirós, Oliveira Martins e Guerra Junqueiro, são autores mais destacados esta geração.