Oboé

Por Ana Lucia Santana
O oboé é um instrumento da família dos sopros. Ele apresenta um tubo de metal, o qual mede atualmente 57 centímetros, geralmente confeccionado com madeira de ébano ou de jacarandá. Esta peça cilíndrica é inserida entre as duas faces torcidas de um fino filete extraído de uma cana específica. Esta fita dobrada é, logo depois, envolta em torno do tubo e atada solidamente a ele. A porção enrolada é aparada e as duas faces suavemente polidas, passando, então, a configurar a palheta dupla que caracteriza este artefato.

Esta peça tem o espaço calculado em duas oitavas e uma sexta, em um espectro que se localiza entre Si bemol 2 e Sol 5. É necessário que o instrumentista avalie qual a quantidade de ar que preservará e qual ele deverá expelir dos pulmões, pois somente uma pequena fração pode atravessar as lâminas da palheta dupla. Daí a complexa manipulação deste instrumento.

Aquele que toca o oboé, ou seja, o oboísta, deve inserir a ponta da palheta entre seus lábios, recolhendo-os delicadamente para o interior da boca, sem roçar os dentes. A pessoa precisa conservar um influxo de ar permanente entre os dois extremos da palheta, situando-as, assim, em estado vibratório. Esta ação impulsiona a coluna aérea, situada na parte interna do instrumento, a vibrar da mesma forma, o que, finalmente, produz a sonoridade das notas musicais.

O timbre grave do oboé é, no mínimo, expressivo e agradável; o mais agudo, por sua vez, é dilatado e pungente. Sua sonoridade é nasalada, tipicamente mais ríspida, por exemplo, que a da flauta, que tem o tom límpido e rasgado. Embora seja visto como uma peça difícil de manusear, tem um som belíssimo.

Este instrumento passou a integrar as orquestras a partir da metade do século XVII, quando ele conheceu a fama entre artistas do porte de Vivaldi, Johann Sebastian Bach, Georg Friedrich Händel, Wolfgang Amadeus Mozart, Robert Schumann, Richard Strauss, e outros expoentes da era do Barroco.

No limiar do século XVIII o oboé passa a se difundir no continente europeu, a partir do solo francês. Nesta época ainda era imperfeito e pouco desenvolvido. Dizem os registros históricos que ele deriva de um antigo instrumento, conhecido na França como charamela. Nasce desta mutação a versão barroca do oboé, mais ou menos em 1657.

Neste mesmo ano se tem notícia da apresentação de uma ópera, L´Amour Malade, de Lully, ao som do oboé. Na metade do século XVIII ele adquiriu outras mudanças, mas foi somente no século seguinte que ele conquistou o formato moderno. Sua sonoridade é considerada tão exata, hoje, que ele ganhou, na orquestra, um papel adicional, o de contribuir para a afinação dos outros instrumentos, por meio do seu fantástico Lá 3 – Lá, situado no segundo espaço da pauta musical na clave de Sol.

Fontes:
http://www.concertino.com.br/cms2/index.php?option=com_content&view=article&id=132:oboe&catid=66:oboe&Itemid=60
http://www.osmc.com.br/informativo/015/noticia_3.html
http://www.pmf.sc.gov.br/ebmvitormiguel/oboe.html