A pedagogia crítica de Michael Apple

Michael Whitman Apple nasceu na cidade de Patterson, nos Estados Unidos, em 1942. Ele é descendente de imigrantes russos, membro de uma família pobre de trabalhadores. Logo cedo ele se engajou politicamente, primeiro no ambiente escolar e posteriormente no contexto acadêmico. Sua concepção pedagógica é fruto de sua convivência com um ambiente periférico e, depois, com um meio mais elitista, após a realização do mestrado e do doutorado no Teachers College da Columbia University.

Como resultado deste contexto existencial, Apple elaborou sua pedagogia crítica, baseada na relação entre a educação e a sociedade, ou seja, na análise relacional ou situacional. Produtor de uma extensa obra, ele publicou, entre outros volumes, Ideologia e Currículo e Política Cultural e Educação. Neste último ele situa exemplarmente sua visão da educação inserida em um contexto social, na interação com as incontáveis faces da sociedade.

Apple desenvolve um trabalho significativo, particularmente na esfera curricular do sistema educacional. Convencionalmente o Currículo nada mais era que uma série de temas que deveriam ser transmitidos no ambiente escolar; atualmente é fato, graças a trabalhos como o deste educador, que o mais importante é elaborar ideias passíveis de serem apreendidas nas suas repercussões.

Assim, de acordo com a teoria desenvolvida por Michael, o Currículo não é uma mera colagem objetiva de informações, pois estas são sempre frutos de determinados agrupamentos sociais, que decidem o que será transmitido nas salas de aula. Desta forma, não é fundamental saber como o conhecimento será disseminado, mas sim qual saber, e porque este e não outro. Assim, o educador propõe questionamentos alternativos e coloca em xeque o modelo tecnicista.

É por esta razão que Apple defende o saber não como algo dado, mas sim enquanto uma realidade que deve ser criticamente examinada; esta proposta rompe com a concepção até então dominante da educação. Ele vai mais além, pois busca nos conceitos de ideologia, hegemonia e senso comum desenvolvidos pelo marxista Antonio Gramsci, o necessário suporte para traduzir, nos mesmos termos, sua visão da educação. Este arsenal é extraído especialmente das teorias críticas.

Desta forma é possível ter uma percepção mais ampliada do currículo, como um conteúdo elaborado por certas camadas sociais, segundo suas ideologias, disputas, preocupações e comprometimentos culturais, políticos e econômicos. Apple vincula, portanto, a grade curricular à estruturação da economia. Embora estabeleça este laço, o educador não incorre no equívoco cometido pelos marxistas convencionais, a compreensão da educação pelo viés economicista, preferindo optar pelo neomarxismo, corrente que acredita na posição central da cultura na avaliação crítica das estruturas sociais.

Apple enfoca igualmente as questões de gênero e raça, a partir das quais elabora a questão da branquidade, ou seja, dos brancos como os normais, enquanto as demais raças e etnias não se ajustam nas estruturas vigentes; a raça branca predomina na criação do Currículo, o qual é visto também como um instrumento de poder na preservação da sociedade em sua atual configuração.

Fontes:
http://www.edrev.info/reviews/revp11.htm
Luís Armando Gandin. Michael Apple. A Educação sob a ótica da análise relacional, in Revista Educação. Pedagogia Contemporânea. Currículo e Política Educacional. Editora Segmento.

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