Cartilha Caminho Suave

A cartilha Caminho Suave é cartilha de alfabetização cuja publicação teve início em 1948 e é considerada ainda hoje um fenômeno editorial brasileiro e um marco na história das cartilhas de alfabetização e produção de livros didáticos no Brasil. No ano seguinte à sua primeira tiragem, a cartilha já fazia parte da relação de livros a serem usados nas escolas primárias do Estado de São Paulo. Entre 1971 e 1996 participou dos programas federais de subsídios ao livro didático nas escolas, o que alavancou sua produção e, nos anos 90, bateu a marca de mais de 40 milhões de exemplares vendidos.

A história de sua idealização está intimamente relacionada com a experiência profissional de sua autora e idealizadora, a professora Branca Alves de Lima. Toda cartilha foi elaborada a partir do método que a autora desenvolveu a partir da observação das dificuldades de aprendizagem de seus alunos, em grande parte moradores da zona rural.

Um dos pilares do método idealizado por Branca foi a utilização de ilustrações semelhantes à letra a ser ensinada. A própria autora nomeou o método como “Alfabetização pela Imagem” e o conteúdo da cartilha propunha um processo de alfabetização realizada pela associação entre imagens e palavras-chave, sílabas e letras. Segundo ela, ao trabalhar cartazes em sala de aula foi percebendo que as crianças esqueciam menos através da associação de uma letra a uma figura como, por exemplo, desenhar uma faca a partir da letra f ou um gato a partir da letra G. Desta forma, a imagem constituía-se em procedimento pedagógico para aprendizagem e assimilação de letras, sílabas e palavras, estimulando assim o interesse e motivação dos alunos ao mesmo tempo em que contribuía para a fixação e o estímulo da memória.

A fim de cumprir com seus objetivos de aprendizagem, o próprio nome dado a cartilha não foi ao acaso. Segundo a autora, tanto a alfabetização como o ensino da leitura só se tornariam efetivos e dinâmicos se o percurso dos alunos pudesse ser suavizado em alguma medida, razão pela qual foi atribuído o nome “Caminho Suave”. Desde sua primeira edição, a capa manteve a ilustração de duas crianças indo para a escola, percorrendo um caminho onde se observa ao fundo o prédio escolar como ponto de chegada.

As lições da cartilha iniciam-se apresentando as cinco vogais, seguidas pelas sílabas ba,ca,da e na sequência o alfabeto sempre destacando palavras-chave. Todas as histórias apresentadas como mote para aprendizagem giram em torno dos personagens de um menino (Fábio), uma menina (Didi) e de um bebê (Fabiano). Essa opção foi justificada pela preocupação em escolher temas vivenciados pelas crianças e palavras pertencentes ao universo vocabular das crianças a partir do ambiente familiar: família, casa, escola, irmãos, plantas, animais etc.). Com o objetivo de orientar o trabalho a ser desenvolvido a cartilha era acompanhada por um Manual do Professor, aonde cada lição era antecedida de uma história associando os personagens às palavras-chave, seguida de orientações de como apresentar o cartaz correspondente à palavra-imagem.

Apesar de sofrer alterações gráficas no decorrer dos anos em que foi editada, as concepções que embasaram a idealização da cartilha permaneceram as mesmas ao longo das diversas edições, tornando a cartilha Caminho Suave um componente importante da história e da memória da alfabetização e escolarização primária no Brasil.

Bibliografia:

PERUQUE, Jéssica Toro. Cartilha Caminho Suave: História e Memória dos 65 anos de Publicação. Trabalho de Conclusão de Curso. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Universidade Estadual de Maringá, 2016. Disponível em: http://www.dfe.uem.br/TCC-2015/Jssica_Toro_Peruque.pdf

MACIEL, Francisca Izabel Pereira. As cartilhas e a história da alfabetização no Brasil: alguns apontamentos. Revista História da Educação, volume 6, n. 11, 2002. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/asphe/article/view/30604

PERES, Eliane e RAMIL, Chris de Azevedo. Alfabetização pela imagem: uma análise iconográfica da cartilha Caminho Suave e do material de Apoio. Cadernos de Pesquisa em Educação, UFES. Volume 19, n. 41, jan./jun. 2015. Disponível em: http://www.periodicos.ufes.br/educacao/article/download/11322/7889

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