Ensino da Física x Educação Científica de Qualidade

Por Ricardo Normando Ferreira de Paula
Ensinar Física vem se tornando, com o passar dos anos uma tarefa bastante desafiadora. Este desafio reside no fato de que esta ciência vem se tornando um estigma partindo do fato de ser uma Ciência complexa e que não está  ao alcance dos alunos, como um todo, pelo menos na visão dos mesmos. Aquele que se destaca no estudo desta disciplina, bem como de outras na mesma área do conhecimento (como a matemática) é rotulado com alcunhas pouco agradáveis: CDF, nerd,...

No entanto, uma questão que leva a este tipo de reação passa pelos seguintes liames: Como o nosso aluno está aprendendo Física nos dias de hoje? Que fatores limitam o aprendizado dos nossos alunos? O fato é  que o atual modelo de ensino adotado na maioria das instituições educacionais tem se mostrado inadequado diante das necessidades de conhecimento acerca das questões científicas e filosóficas que permeiam a humanidade dos dias atuais. Tais modelos são insuficientes até no que diz respeito à motivação dos alunos.

A grande questão aqui está pautado no fato de que o ensino de Física nos níveis fundamental e médio da Educação Básica vem se mostrando desprovidos de sentido do ponto de vista conceitual.  E ainda há mais: para alguns alunos, a Física é vista como algo fora do seu alcance, dada a maneira como a disciplina é ministrada nestes níveis de ensino.

Sendo o ensino de Física algo pouco interessante e estimulante da maneira como é trabalhada atualmente (na grande maioria dos casos) e vista por muitos como sendo algo que está muito além da sua capacidade, é necessário desmitificar estas visões tendo como objetivo precípuo a integração do aluno com o conhecimento da disciplina e da participação deste no seu processo de aprendizagem como defendia Piaget, mais precisamente na Teoria de Equilibração Piagetiana.

Outro aspecto que motiva o aluno a aprender algo é quando ele pode ver o “conhecimento em ação” utilizando o termo do Professor Marcelo Gleiser (2000). Ou seja, explorar os conteúdos por um amparo mais experimental é prevalente em termos qualitativos à pura e simples teorização.

Um dos aspectos relacionados à melhoria do processo de ensino e aprendizagem desta disciplina passa pela ciência como parte de um todo no qual nós (professores) e nossos alunos estamos inseridos. Vivemos, cotidianamente em ambientes ricos de situações e problemas físicos com as mais diferenciadas formas de abordagem em sala de aula.

Segundo Santos (2007), pode-se considerar que a “ciência engloba diferentes atores sociais e que a compreensão desse campo depende da análise das inter-relações entre esses atores”, isto é, a análise conjunta das situações que originam ou se originaram de determinado evento científico devem ser abordados em seu todo, partindo, assim, para um trabalho conjunto do professores das várias disciplinas envolvidas no caso em questão para que uma visão global e uma postura mais crítica possam ser abordados pelos alunos. Desta forma, tanto alunos como professores desenvolverão novos conhecimentos a partir das mais diversas relações entre as mais variadas áreas do conhecimento.

Cabe salientar que este tipo de trabalho traz à tona uma série de questões mais pontuais como, por exemplo, o plano de curso anual que deve ser seguido que não deixa tempo para o professor conduzir este tipo de prática. No entanto, estas e outras questões podem ser resolvidas a partir do planejamento semestral ou anual. Este é um dos termos chave para que o processo de ensino e aprendizagem possa ser algo mais prazeroso e produtivo tanto para alunos quanto para professores.

Referências Bibliográficas:

GLEISER, Marcelo. Por que ensinar Física? A Física na Escola, v.1, n.1, p4-5, maio de 2000.

SANTOS, W. Educação científica na perspectiva de letramento como prática social: funções, princípios e desafios. Revista Brasileira de Educação v. 12 n. 36 set. / dez. 2007

ZIMMERMAN, E. , EVANGELISTA, P.C.  Pedagogos e o ensino de Física nas séries iniciais do ensino fundamental. Cad. Bras. Ens. Fís., v. 24, n. 2: p. 261-280, ago. 2007.