Estruturação dos Processos de Capacitação e Treinamento

Por Patrícia Rocha Cassimiro
Na estruturação de processos de ensino-aprendizagem corporativa, a indicação das metodologias a serem adotadas deve observar o respeito aos pilares da andragogia.

Durante um período, o processo de capacitação de pessoas apresentou falhas, identificadas pelo fato de não permitirem uma visão sistemática da organização. Seu foco esteve amparado na percepção mecanicista, ou seja, voltada especificamente para o aspecto técnico-operacional.

O processo de mudança do conhecimento de capacitação do caráter somente finalista para uma visão mais voltada para aprendizagem recebeu de alguns autores, como Paulo Freire e Malcom Knowles, contribuições significativas para o aprofundamento das melhores formas de aprendizagem, com a quebra de paradigmas na educação e, principalmente, nos que denota os princípios da andragogia.

O estudo da andragogia não é um fato atual; ao contrário, ela vem sendo pesquisada há décadas e, entre as muitas conceituações, seguimos a que define como arte e ciência de orientar adultos a aprender.

Nessa estrutura de ensino-aprendizagem vale ressaltar algumas premissas da andragogia.

A necessidade de conhecer é quando o adulto sabe da sua necessidade de conhecimento e, para ele, a maneira de colocar seu conhecimento no seu dia-a-dia é fator decisivo para o seu elo com a educação.

O auto-conceito é quando o adulto tem consciência da sua necessidade de conhecimento, e ele se torna capaz de suprir essa carência de forma independente, ele possui capacidade de se auto-desenvolver.

A experiência é a aonde se constitui a base de aprendizado do adulto. É  a partir deste momento que ele se dispõe ou se nega a participar de qualquer forma de programa de aprendizagem.

A prontidão para aprender é quando o adulto esta pronto para aprender o que ele decidiu aprender. Sua seleção de aprendizagem é natural e realista. Em compensação, ele se nega a aprender o que os outros lhe aplicam apenas com sua necessidade de aprendizagem.

A orientação para aprendizagem, nessa fase a pessoa adulta reconhece o conhecimento como algo que tem sentido para o seu dia-a-dia, e não apenas como arquivamento de conteúdos para posteriores aplicações.

A motivação do adulto para aprendizagem está ligada a sua própria vontade de crescimento e não é provocada por estímulos externos decorrentes de outras pessoas.

É incontestável a importância da aprendizagem dentro das organizações. Entretanto, a dificuldade na elaboração, revisão e criação de métodos entrelaçados ao treinamento de pessoas tem sido o grande desafio dentro das organizações.

Em um momento em que as organizações se vêem diante de uma grande competitividade, existe essa preocupação em prol de uma melhoria contínua de seus resultados, tornando-se indispensável à concordância metodológica da aprendizagem ás características individuais e grupais. O aproveitamento do conhecimento e da aprendizagem permanente garante ganhos competitivos, crescimento e redução de custos.

Fontes:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1987.
GOECKS, Rodrigo. Educação de adultos – Uma abordagem andragógica.  ADIGO, 2001.