Método de educação piagetiano

Por Ana Lucia Santana
O psicólogo suíço Jean Piaget desenvolveu um método precursor na esfera da inteligência do estágio infantil. Para ele, que muito contribuiu com a história da educação, a criança absorve o teor do aprendizado por meio de um processo natural de apreensão do conhecimento.

Logo depois o aluno estrutura os dados recebidos de uma forma particular, para logo em seguida desestruturar essa disposição das informações através do que Piaget denomina mecanismo de deformação, para que, assim, o real se torne mais compreensível. Em suma, a conquista do saber se realiza, para ele, como resultado da harmonização entre estas duas fases do aprendizado, a assimilação e a acomodação; a união destes dois estágios dá origem ao processo de adaptação. Ou seja, o indivíduo sente a necessidade de conciliar os novos ensinamentos a um arcabouço psíquico pré-existente.

Assim, para Piaget, a escola tem que adequar sua prática pedagógica ao modo de ser dos seus alunos, seguindo os instintos de curiosidade que os motivam e, baseada neste rico manancial propiciado pelos próprios aprendizes, elaborar tarefas com temáticas de interesse infantil, conforme a faixa etária atendida, e também atividades lúdicas, essenciais na formação da criança, sem se fixar em um currículo dogmático.

Os estudos de Piaget tiveram vasta repercussão na Psicologia e na Pedagogia, principalmente seus trabalhos sobre os mecanismos que geram as proposições infantis. Ele desenvolveu igualmente a conhecida Teoria Cognitiva, na qual revela que a evolução da conquista do conhecimento se dá em quatro estágios do aprendizado humano: Sensório-motor, Pré-operacional, Operatório concreto e Operatório formal.

A fase sensório-motora da criança, que vai do momento em que ela nasce até o 18º mês de vida, é aquela na qual o ser vivo procura conquistar o domínio de seus movimentos e conhecer os aparatos físicos que a cercam. É assim intitulada porque o neném capta os estímulos exteriores através das atitudes pessoais, as quais são exercidas por seus dados sensoriais. Sua interação com o ambiente se dá sem nenhuma intermediação, nem mesmo a de seus pensamentos.

A etapa pré-operacional corresponde ao estágio pré-escolar, abrangendo a criança de 2 até 6 anos de idade. Nesse período ela desenvolve o intelecto simbólico, o pensar centrado em si mesma e guiado pela intuição, a incapacidade de distinguir o mundo das aparências do universo real, a ideia de situações não reversíveis.

O estágio operatório concreto pressupõe que a criança de 7 a 11 anos está preparada para compreender as abstrações, tais como os números e o processo de interação social. Neste momento a infância elabora uma lógica interior concreta e tem o dom de resolver questões consistentes. Os infantes podem, então, entender os conceitos de tempo, espaço, velocidade, disciplina, entre outros, sendo capazes de, nesta etapa, abstrair informações proporcionadas pela esfera do real. Há uma transcendência do egocentrismo e uma maior cooperação com o outro.

A última passagem da infância é a etapa operatória formal, a qual se desenrola dos 12 anos em diante, quando o ser já empreende o raciocínio lógico, o qual é capaz de sistematizar os dados. A criança navega com mais facilidade pelo pensamento abstrato, prescindindo da plataforma do concreto, e é capaz de realizar deduções lógicas a partir de objetos consistentes. Aqui a construção do aparato cognitivo infantil chega ao ápice, permitindo que a mente destes aprendizes esteja pronta para praticar sua lógica na solução de toda e qualquer questão.

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/guia_para_pais-metodos.shtml
http://www.sobre.com.pt/jean-piaget-conteudo-sobrecompt
Almanaque Saraiva. Ano 5. # 53. Setembro/2010. Pág. 16.