Família Apocynaceae

Por Marilia Araujo
A Família Apocynaceae tem mais de 500 gêneros e 5.000 espécies, conquistando o título de “família numerosa”, estando entre as 10 famílias de angiospermas mais numerosas atualmente. Com tantos indivíduos, está espalhado por boa parte do planeta, preferencialmente nos trópicos. Foi necessário dividir Apocynaceae em cinco subfamílias:

Apocynaceae
Apocynaceae
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
  • Rauvolfioideae: características marcantes dessa subfamília são anteras totalmente férteis e imensa variedade de frutos.
  • Apocynoideae: esta subfamília não tem um ancestral comum e suas anteras são parcialmente férteis e estão adnatas ao gineceu.
  • Periplocoideae: sua característica principal é o pólen em tétrade, quase sempre se unindo a grupos maiores de polens e formando políades.
  • Secamonoideae: também como característica principal o pólen em tétrade formando políades.
  • Asclepiadoideae: o pólen forma políades, as anteras reduzem de tetra para biesporangiadas, conforme seu desenvolvimento.

Apocynaceae pode ser erva, árvore ou trepadeira. Sem estípulas, as folhas normalmente são opostas, com nervura peninérvea. As inflorescências são cimeiras, quase nunca serão flores solitárias. São flores bissexuais, quase sempre hipóginas, com sépalas que seguem livres até bem próximo da base. Os estames se encontram livres e em alguns casos podem estar adnatos entre si e com o gineceu. Os grãos de pólen podem ser mônades, tétrades ou formar políades, vai depender da subfamília. O gineceu é apocárpico com carpelos totalmente livres a nível de ovário e unidos no ápice, compondo uma cabeça clavúncula. Placentação pode ser parietal ou axilar. Os discos nectaríferos estão na base da corola em torno do ovário.

Os frutos desta família são comumente dois folicários, onde quase sempre um deles é abortado. As apocináceas dificilmente terão frutos do tipo cápsulas, bagas ou drupas. Sempre com muitas sementes, dificilmente são aladas.

Seus agentes polinizadores são com frequência abelhas, moscas, mariposas, vespas e borboletas. Todos atraídos pela aparência e odor floríferos, uns em busca de néctar, outros em busca de um lugar seguro para depositar seus ovos, como é o caso das moscas atraídas por umas espécies florais que exalam um cheiro pútrido imitando animais em decomposição.

A subfamília Asclepiadoideae tem uma estratégia floral que funciona muito bem: as flores possuem apêndices em sua corona que ajudam a guiar o polinizador que chega até elas. Entre as anteras e estames forma-se uma espécie de trilho onde ficam as políades (grande conjunto de polens). Quando o polinizador sai da flor, automaticamente vem deslizando suas patas ou outra parte de seu corpo por esse trilho, levando consigo as políades e inserindo-as em outras flores que visitará posteriormente.

Sucintamente, esta grande família tem importância econômica expressiva graças às espécies conhecidas como “peroba”, utilizadas exaustivamente em movelarias e na construção civil. Outras espécies são usadas na medicina como componentes bioativos no tratamento de câncer. Tem ainda as espécies comestíveis, como a mangaba, utilizada na culinária para fazer geléias, doces, sorvetes e sucos. Sem deixar de lembrar as espécies ornamentais muito aproveitadas para projetos urbanísticos. Em especial tem a espécie Asclepia curassavica que é extremamente tóxica e bem freqüente em pastagens, prejudicando a criação de gado, gerando enormes prejuízos econômicos.

Bibliografia:
http://www.freewebs.com/rapinibot/embriofitas/parte9.pdf