Relações entre Brasil e Venezuela

Por Emerson Santiago
Pode-se dizer com segurança que as relações da Venezuela não foram historicamente tão intensas com o Brasil, quando a comparamos com os vizinhos deste mais ao sul, ou seja, Paraguai, Uruguai e Argentina. Uma breve observação no mapa político das duas nações já dá muitas pistas acerca do distanciamento que por muito tempo marcou a convivência destes dois países.

A Venezuela possui características que a ligam tanto aos países amazônicos, andinos e caribenhos, sendo esta última talvez a identidade que mais é cultivada pelos seus cidadãos. Algo um tanto natural, pois a capital venezuelana (Caracas) e as principais cidades do país são todas localizadas no litoral, ou seja, o Mar do Caribe; seus interesses comerciais estão ligados já desde o século XIX aos países caribenhos e aos Estados Unidos, atuando como importante exportador de petróleo.

O Brasil, por outro lado, país de dimensões continentais, tem desde o século XVIII, ainda como colônia de Portugal, seu centro decisório localizado no sudeste do país, a milhares de quilômetros de Caracas, tornando os dois países efetivamente "estranhos" um ao outro. Ao longo do tempo, a situação não mudaria de forma dramática, pois a própria natureza, com a floresta amazônica servindo de barreira natural, antepondo-se a maiores contatos práticos, e ao mesmo tempo em que há a consolidação da regiâo sudeste do Brasil como o mais importante polo econômico do país, serão fatos fortes o bastante para manter as relações entre os dois países num estágio bastante primário.

Enfim, uma verdadeira mudança positiva em tais relações verifica-se a partir do encontro de La Guzmania, em 4 de março de 1994, onde os presidentes dos dois países à época, Itamar Franco e Rafael Caldeira assinaram os mais importantes acordos e compromissos na história dos dois países até aquela data. É em La Guzmania que podemos traçar a origem de uma prática e efetiva relação entre os dois países, que presenciamos em dias atuais. Entre seus dispositivos, previa a criação do MPC (Mecanismo Político de Consulta) e da Coban (Comissão Binacional de Alto Nível), presidida pelos chanceleres e integradas por diversos ministros de Estado.

Com a eleição de Fernando Henrique Cardoso no Brasil, houve um incremento nas reuniões, encontros e visitas presidenciais, decorrência natural dos acordos de La Guzmania.

Sucedendo a Rafael Caldera em 1999, Hugo Chávez irá, num primeiro momento, dar simples seguimento ao acordado em La Guzmania. Com sua estabilização na presidência venezuelana, Chávez passa a mudar os rumos da política externa do país, investindo mais nas relações com a América do Sul, em especial com o Brasil, que o havia apoiado nas crises institucionais pelas quais passou seu governo inicialmente.

Atualmente, a Venezuela encontra-se prestes a tornar-se membro do MERCOSUL (dependendo apenas da aprovação do Paraguai, último membro que ainda não admitiu o país como membro pleno), marcando definitivamente uma maior união com os países da América do sul, em detrimento de sua tradicional política externa voltada para o Caribe e os EUA, passando a dar uma ênfase especial para as relações com o Brasil, num momento em que os dois começam a aprofundar cada vez mais os acordos de cunho comercial e econômico.

Bibliografia:
http://sitemason.vanderbilt.edu/files/k53c9a/Fuccille%20Alexandre.doc - Fuccile, Luís Alexandre. Segurança e Defesa no Cenário Sul-americano: Um balanço das tensões entre realidade doméstica e plano externo