Adjetivo Adverbializado

Segundo Martin Hummel (08/06/2001), a conversão do adjetivo em advérbioadjetivo adverbializado – é um fenômeno corrente desde o latim. Ela já se encontrava no latim vulgar e, raramente, no latim clássico. Atualmente, a primeira equivale à linguagem informal e a segunda funciona como formal.

Hummel afirma que em Portugal, tanto na fala como na escrita, utiliza-se o advérbio terminado em –mente, já no Brasil, o advérbio, normalmente, é substituído por um adjetivo. Ao escrever, os brasileiros usam advérbios em -mente, pois causam uma melhor impressão ao texto, o que acaba criando uma visão culta ao leitor. Tal processo também é utilizado por falantes formais, os quais o aplicam em situações propícias.

O autor defende que o adjetivo adverbializado só funciona substituindo advérbios de “modo”, isto é, quando o primeiro caracteriza a ação do antecessor – no período proposto (em estudo) – neutralizando o agente adverbial (sufixo –mente) e, transformando-o em adjetivo.

Tal ação é encontrada, principalmente, em campanhas de publicidade e propaganda. Devido a uma maior facilidade de compreensão da ideia a ser transmitida a seus leitores/ouvintes/visualizadores. Para isso, utilizam-se destes veículos de comunicação: Televisão, rádio, “outdoors”, revistas, jornais, etc.

Para haver a compreensão do que é adjetivo adverbializado, é necessário conhecer duas das classes gramaticais, que são: Adjetivo – palavra que acompanha o substantivo ou a ele se refere, atribuindo qualidade, estado de especificação a um ser. Segundo Sacconi (1996, p. 143), “adjetivo é toda e qualquer palavra que, junto de um substantivo, indica qualidade, defeito, estado ou condição. Ex.: Homem bom; casa sujavelho amigo”. Advérbio – palavra que modifica um verbo, um adjetivo ou outro advérbio, trazendo ideia de circunstância de modo, tempo, intensidade etc. Conforme Sacconi (1996, p. 252), advérbio “é a palavra invariável que modifica essencialmente o verbo exprimindo uma circunstância (tempo, modo lugar etc.). Ex.: Volto logo; Transcreveu a carta errado”.

O adjetivo adverbializado só existe quando substituído por um advérbio de “modo”, diferenciam-se por que o primeiro varia em gênero e número. Ao ocorrer terminação –mente (advérbio de modo), sua forma torna-se única. Depois que o adjetivo neutraliza o advérbio, ele mantém-se invariável. Sacconi (1996, p. 253) afirma que “Adjetivos adverbializados são os que substituem advérbios terminados em –mente e, por isso mesmo, mantêm-se invariáveis. Ex.: Falem baixo!.

Quando ocorre a conversão, muitos advérbios podem ser transformados em adjetivos, recebendo conectivos para um melhor entendimento. A mesma permite o empréstimo de sentido quando ocorre substituição de um elemento para o outro (advérbio – adjetivo).

Exemplo de frases com conectivo:

“Beba com moderação.” (Revista CARAS, 2006, p. 15) = Beba moderadamente.

Exemplo sem conectivo:

“Viaje tranqüilo, vá pela União” (Empresa União, 2006) = Viaje tranquilamente, vá pela União.

Comprovando o fenômeno estudado, a Revista Super Interessante (2006, p. 63) afirma que: “Em todos os idiomas, palavras se alongam, encurtam e trocam de significado; expressões são criadas enquanto outras perdem a razão de existir; substantivos, verbos, adjetivos e advérbios emprestam sentido uns aos outros.”

Referências:
http://www.empresauniao.com.br/
www.memoriadapropaganda.org.br
A LÍNGUA Solta. Super Interessante, São Paulo, p.63. Abril. 2006.
SACCONI, Luiz Antonio. Nossa Gramática: Teoria e Prática, São Paulo: Atual Editora, 1996. 524 p.
HUMMEL, Martin. A Conversão do Adjetivo em Advérbio em Perspectiva Sincrônica e Diacrônica. Universidade de Duisburg, Alemanha, 2001.
NOVA Schin. Revista CARAS, São Paulo, p. 15. 2006.

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