Adjunto adsentencial

Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF)
Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

Os adjuntos adsentenciais, conforme o prefixo de origem latina “ad” sugere, realizam a aproximação ou a junção de sentenças. Os referidos adjuntos modificam todo o sentido da sentença a que se unem e, não apenas, o sentido do verbo. Observe o funcionamento deles neste texto elaborado pela autora deste artigo:

Na manhã daquele sábado, o celular de Rafael tocou... Era Jonathan, seu amigo de infância e aventura. Depois de alguns minutos de bate-papo, Rafa respondeu-lhe: “Combinado, sairemos ao entardecer”. O destino dos amigos era uma região onde se localizava uma deslumbrante cachoeira, perto da qual acampariam. Juntaram todos os utensílios necessários, guardando-os nas mochilas. Caminharam, entusiasticamente, cerca de quatro quilômetros. Ao chegarem lá, a primeira coisa que fizeram foi contemplar as quedas d’água... Quando já iam dar início à montagem das barracas, eis que os jovens escutaram um rugido. Olharam-se apavorados e saíram correndo... “Haveria um leão naquele lugar?” Improvável, pensaram... Afinal, nunca haviam encontrado com um anteriormente... Nunca haviam cogitado a presença de uma visita, diga-se de passagem, indesejável... O rugido só aumentava... O coração saltando ao peito! Foi, então, que subiram em uma árvore, fixando-se no galho mais alto que conseguiram alcançar. Horrível aquela situação! De lá de cima, viram o leão passando a certa distância de onde estavam. O coração gelou! Mas, para o alívio dos rapazes, o felino seguiu adiante...

O texto acima relata o dia em que Rafael e Jonathan se dirigiram a uma região, onde havia cachoeira, com o intuito de fazer acampamento. A referida aventura foi confirmada pelo telefone “Combinado, sairemos ao entardecer.”. O verbo “combinado”, flexionado no particípio, é concebido como um adjunto adsentencial, visto que o seu emprego não modifica apenas a ideia do verbo “sairemos”, mas a ideia de toda a sentença.

Veja outras situações em que os adjuntos adsentenciais se fazem presentes na progressão das ações que compõem o texto:

“Olharam-se apavorados e saíram correndo.”.

O adjetivo “apavorados” funciona como adjunto adsentencial porque a ideia por ele expressa modifica o verbo “olharam-se”, especificando-o e modifica a locução verbal “saíram correndo”, indicando a causa da ação. Sob esse prisma, estabelece o elo entre as sentenças.

“Havia um leão naquele lugar? Improvável, pensaram...”.

Aqui, o adjunto adsentencial “Improvável” (na forma de adjetivo) é utilizado para especificar em que os rapazes pensaram, acerca da possibilidade da presença de um leão no local, compondo a resposta ao questionamento feito na sentença anterior.

“Horrível aquela situação!”

O adjetivo “horrível” funciona como adjunto adsentencial, pois especifica “aquela situação”, que por sua vez retoma ao contexto textual, no qual se explica qual é a situação horrível de que se fala: a possibilidade da presença de um leão naquela região.

Para encerrar: O adjunto adsentencial une as sentenças, objetivando modificar o sentido inerente a elas. O conhecimento do funcionamento dos adjuntos em questão é imprescindível para a identificação dos elos estabelecidos entre as sentenças que compõem um texto.

Referências:

CASTILHO, Ataliba T. de. Adjuntos adsentenciais. In: ___ Nova Gramática do português brasileiro: tradição e ruptura. São Paulo: Contexto, 2010, p. 311.

___ Adjetivo como adjunto adsentencial. In: ___ Nova Gramática do português brasileiro: tradição e ruptura. São Paulo: Contexto, 2010, p. 518.

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