Análise sintática

Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF)
Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

Entende-se “Sintaxe” como a ciência da língua que estuda o processo de construção das sentenças. Nessa perpectiva, realizar a análise sintática significa identificar a função que cada elemento exerce no contexto da sentença, bem como a relação que ele estabelece com os demais constituintes, de modo a se formar um todo organizado e harmônico. Para o estudo dos termos essenciais que compõem as orações, recomenda-se a leitura do texto a seguir, elaborado pela autora deste artigo:

João Miguel é um fotógrafo prestigiado nacional e internacionalmente. Tudo, no tocante à alma humana, é alvo de seus flashes. Todavia, ele se identifica, mais fervorosamente, com a arte engajada, que retrata os desalentos e as misérias humanas. O olhar atento para os desfavorecidos socialmente é o que o move. Nesta semana, duas de suas fotografias irão a leilão para a arrecadação de fundos destinados a entidades filantrópicas. Ambas retratam a dura realidade de moradores de rua, situada em um grande centro urbano.

Perceba que o texto acima objetiva descrever, profissionalmente, “João Miguel”. Nesse sentido, “João Miguel” é o ser acerca do qual são feitas as declarações, isto é, ele é o “sujeito”. O que é dito sobre ele é o que se denomina “predicado”. A título de exemplo, observe:

João Miguel é um fotógrafo prestigiado nacional e internacionalmente.

  • Sujeito  
  • Predicado

O sujeito acima é representado por um “substantivo”. No entanto, é importante destacar que a retomada a ele é feita por meio de: um pronome pessoal: “Ele se identifica [...]” e, posteriormente, por uma expressão substantivada: “O olhar atento [...]”. Além disso, o sujeito pode vir representado por um pronome (entre outros tipos) indefinido ou por um numeral, conforme ilustram estes exemplos:

  1. Tudo, no tocante à alma humana, é alvo de seus flashes.”.
  2. Ambas retratam a dura realidade de moradores de rua [...]”. O numeral sublinhado retoma “duas de suas fotografias”.

Os sujeitos se dividem em:

  • Simples - compõe-se de apenas um núcleo (palavra principal): "Aquele rapaz é craque em Matemática."
  • Composto - compõe-se de mais de um núcleo: "A dor e a angústia o torturavam rotineiramente."
  • Oculto – identificável pelo contexto ou pela desinência verbal: "Encantei-me com aquele romance." (A desinência evidenciada refere-se a “eu”).
  • Sujeito Indeterminado - que não se identifica: "Fizeram uma pichação no muro da casa da vizinha."

Os predicados se segmentam em:

  • Predicado nominal - contém uma característica atribuída ao sujeito, por intermédio de um verbo de ligação:
    "Gabriel ficou perturbado com a notícia."
  • Predicado verbal: apresenta como núcleo um verbo significativo, aquele que acrescenta uma ideia ao sujeito:
    "Ele comprou um lote."
  • Predicado verbo-nominal - une as especificações de ambos: "Lúcia ficou felicíssima quando alugou o apartamento."

Para encerrar: O sujeito é o ser a respeito do qual se diz algo, ao passo que o predicado designa a declaração feita sobre o sujeito. Vale reiterar que se trata de termos essenciais à oração. Portanto, é fundamental conhecer o funcionamento deles, com vistas ao aprimoramento da leitura e da escrita. Para o aprofundamento na temática em questão, recomenda-se a leitura dos artigos “Sujeito” e “Predicado”.

Referências:
BASÍLIO, Margarida. Formação e classe de palavras no português do Brasil. São Paulo: Contexto, 2004.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. A oração e os seus termos essenciais – Sujeito e Predicado. In: ___ Nova gramática do português contemporâneo. 5.ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008, p. 136-152.

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