Oração sem Sujeito

Por Paula Perin dos Santos
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) trata que os termos essenciais da oração são o sujeito e o predicado. Isso pressupõe que, se são termos essenciais, seria impossível a existir oração sem a presença de algum deles. No entanto, sabemos que isso não é de todo verdade, já que a oração sem sujeito é formada apenas do predicado.

A oração sem sujeito, ou sujeito inexistente, como preferem alguns autores, ocorre quando, simplesmente, não existe elemento ou pessoa gramatical ao qual o predicado se refere.

Choveu a noite inteira”.

Isso acontece quando o verbo expresso na oração se apresenta com sentido impessoal dentro daquele contexto. Vamos conhecer os mais comuns:

  1. Verbos ou locuções que indicam fenômenos da natureza, como chover, nevar, trovejar:

Trovejou sem parar na Baixada Fluminense”.

“No inverno passado, nevou na Flórida”.

Havia chovido bastante durante a manhã”.

  1. O verbo haver no sentido de existir, acontecer:

“Na reunião de pais só havia mães”. (Fernando Sabino).

Houve poucas desistências para o curso de verão”.

  1. Verbos indicando tempo decorrido, como haver, fazer, ir:

muitos anos nos conhecemos. Desde criança”.

Faz dois meses que não vou à aula”.

Vai para dez anos que me aposentei”.

  1. Verbos ou locuções indicando tempo e distância, como ser, passar:

Era um dia abafado e aborrecido”. (Aluísio Azevedo).

“Já passa das quatro horas”.

Tinham sido horas de longa espera por atendimento médico”.

Observe que, em todos os exemplos, os verbos destacados não possuem sujeito, são impessoais, já que não há elemento gramatical ao qual o predicado se refere. Se esse elemento gramatical passar a existir, logicamente a oração passa a ter sujeito. Veja:

“De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.” (Vinícius de Moraes)

Os verbos em destaque estão empregados em sentido figurado. Como quem “escurece, tarda, anoitece” é a pessoa do poeta (eu=pessoa gramatical), o sujeito simples está presente na oração.

Portanto, apenas memorizar os verbos que são impessoais não é garantia de classificar corretamente uma oração. É preciso atentar para a função e o sentido que o termo exerce dentro daquele determinado contexto.

Referências bibliográficas:
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 403-4.
SAVIOLI, Francisco de Platão. Gramática em 44 lições. 15. ed. São Paulo: Ática, 1989, p. 10.