Orações coordenadas

As sentenças coordenadas (ou orações coordenadas) são as orações que, como a própria nomeação sugere, se unem umas as outras, de forma justaposta ou por intermédio de uma conjunção. A referida ordenação tem por finalidade a composição de um período composto. Sob esse aspecto, cada sentença mantém a sua independência sintática, uma vez que uma não funciona como termo integrante da outra. Com o objetivo de clarear esse conceito, propõe-se a leitura deste trecho do romance A menina que roubava livros, do escritor australiano Markus Zusak:

Era o fim de maio de 1939, e a noite tinha sido como quase todas as outras. Mamãe sacudira seu punho de ferro. Papai havia saído. Liesel limpara a porta da frente e observara o céu da Rua Himmel. (p. 45).

A princípio, é pertinente lembrar que se concebe como período, a frase organizada em oração (período simples) ou orações (período composto). O primeiro e último períodos do trecho acima se compõem de duas orações, a saber:

Primeiro Período:

  • Oração 1: Era o fim de maio de 1939.
  • Oração 2: A noite tinha sido como quase todas as outras.

Último Período:

  • Oração 1: Liesel limpara a porta da frente.
  • Oração 2: Observara (referência à Liesel de maneira subentendida) o céu da Rua Himmel.

Constate que se trata de duas orações independentes entre si, inseridas em seu respectivo período. Cabe elucidar que, apesar de terem o sentido ligado por meio da conjunção “e”, mantêm-se fiéis a sua estrutura sintática original. Vale relembrar que a “conjunção” tem o propósito de conectar duas orações, como nos períodos analisados; ou duas palavras de função equivalente na oração: “A alegria e a ansiedade tomaram conta do seu coração.”. Observe que “e” une dois substantivos (núcleos) que constituem o sujeito da oração.

As orações coordenadas se dividem em: sindéticas e assindéticas. Observe:

  1. Luiz Fernando compareceu ao evento no horário confirmado.
  2. Luiz Fernando compareceu ao evento e não se atrasou.

Perceba que não há conjunção no primeiro período. Nesse caso, tem-se uma oração coordenada assindética, isto é, que não apresenta conjunção. O “a” exprime a ideia de negação, como, por exemplo, em “assintomático” (sem sintomas). Em contrapartida, no segundo período, as duas orações são interligadas por meio da conjunção “e”. Por isso, trata-se de uma oração coordenada sindética.

As orações coordenadas sindéticas dividem-se em cinco tipos, conforme a ideia estabelecida, por meio da conjunção, entre as orações, a saber:

  1. Aditiva
    No geral, expressa a ideia de adição:

    • Ainda não fiz o almoço, nem arrumei a casa. (nem = e não)
    • Outro exemplo: não só... mas também.
  2. Adversidade
    Exprime ideias que se opõem:

    • O time jogou bem, porém perdeu o jogo.
    • Outros exemplos: todavia, contudo, mas, entretanto...
  3. Explicativa
    Apresenta uma justificativa:

    • Na segunda-feira, não foi ao trabalho porque estava doente.
    • Mais exemplos: porque, pois (anteposto ao verbo).
  4. Alternativa
    Sinaliza uma opção/alternativa:

    • Alerte o seu filho, ou ele acabará sendo reprovado este ano.
    • Mais exemplos: quer...quer, ou...ou, ora...ora
  5. Conclusiva
    Indica uma conclusão

    • Os preços dos produtos se elevaram significativamente. Por isso, reduzimos a nossa compra.
    • Outros exemplos: logo, pois (posposto ao verbo), consequentemente, portanto, por conseguinte, de modo que.

É pertinente mencionar que um mesmo período pode ser composto por orações coordenadas sindéticas de diferentes tipos. Constate:

Marcos estudou para a prova e fez todos os trabalhos, porém não conseguiu a média na disciplina.

Note que o período se compõe de três orações, integradas pela conjunção aditiva “e” e pela conjunção adversativa “porém”.

Para finalizar: As sentenças coordenadas são as orações que se unem, por intermédio ou não de uma conjunção, compondo períodos. Trata-se de orações independentes entre si, apesar de serem instauradas novas relações de sentido.

Referências:
BRASIL. Casa Civil da Presidência da República. Manual de Redação da Presidência da República. – Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm>.

ZUSAK, Markus. A menina que roubava livros. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008. Título original: The Book Thief, p.45.

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