Sínquise

Por Paula Perin dos Santos
Como diz a própria palavra, que provém do grego e significa “mistura”, “confusão”, Sínquise é uma figura de linguagem e consiste numa violenta inversão da ordem direta dos termos da oração, de modo que, numa primeira leitura, torna-se difícil a compreensão do enunciado.

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante.”

No Hino Nacional Brasileiro, é constante a inversão dos termos da oração. Existem alguns mais suaves (onde ocorre a anástrofe), outros mais bruscos (onde ocorre o hipérbato), mas neste caso, onde a inversão compromete o sentido numa primeira leitura, ocorre a sínquise, promovendo uma “confusão artística” das palavras. Inicialmente, não sabemos “quem ouviu o quê”, mas depois, analisando os termos, podemos organizá-los na seguinte ordem:

“As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico”.

Exemplos de sínquise na literatura:

“Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre guilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo Espaço da Pureza”.

“Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da dor no calabouço, atroz, funéreos”

(Cruz e Sousa)

“Do tamarindo a flor jaz entreaberta,

Já solta o bogari mais doce aroma,

Também meu coração, como estas flores,

Melhor perfume ao pé da noite exala!”

(Camões)

Alguns teóricos afirmam que essa “confusão artística de palavras” que ocorre na sínquise é consequência da junção de diversas figuras de linguagem como de hipérbatos, anástrofes, anacolutos e outras figuras de omissão ou repetição.

Referências Bibliográficas:
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8ed. São Paulo, Saraiva, 2005, p. 565.

NICOLE, José de. Língua, Literatura e Redação. 5ed. São Paulo, Ática, 1991, p. 195.

SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 406.