Pólvora

Por Emerson Santiago
A descoberta da pólvora é um capítulo importante na história humana, pois trouxe importantes modificações às estratégias de guerra, com a introdução das armas de fogo, aumentando consideravelmente a soma de conquistas possíveis aos que detinham tal inovação tecnológica.

Apesar de estar associada à imagem de destruição e morte, a pólvora também desempenhou importante papel em atividades pacíficas, como no campo de extração de minérios, por exemplo.

Não se sabe ao certo quem a desenvolveu ou quando ela foi descoberta, mas é certo que os chineses já faziam uso da pólvora por volta do século XI, em fogos de artifício nas suas festas. Três séculos mais tarde, ela seria introduzida pelos mercadores árabes no continente europeu, onde era empregada na impulsão de projéteis.

Nos dias de hoje a pólvora ainda é preparada com uma receita bastante parecida com a original, que consiste em nitrato de potássio (salitre), carvão vegetal e enxofre, misturados até formarem uma pasta. Tal massa é então comprimida em blocos  e depois fragmentada e reduzida a grânulos de vários tamanhos, que são peneirados e classificados por tamanho, de acordo com uso desejado.

Claro que outro fator importante na receita é a qualidade dos ingredientes e a correta proporção da mistura, que no caso da pólvora influenciam decisivamente na qualidade do produto final e em sua força explosiva. Até 1650, a proporção dos ingredientes variava consideravelmente, com altas proporções de carvão vegetal e enxofre. O carvão proveniente de uma forma de corniso era usado na pólvora destinada a armas leves, enquanto que o carvão de salgueiro e amieiro era destinado à artilharia pesada. Hoje em dia, a proporção utilizada em geral é de 75% de salitre, 15% de carvão vegetal e 10% de enxofre.

Na Europa, as primeiras aplicações civis da pólvora ocorrem no século XVII, quando ela é utilizada na escavação de minas. Em 1831, William Bickford desenvolve a espoleta de segurança, o que impede os graves e frequentes acidentes que aconteciam com os métodos primitivos de atear fogo às cargas explosivas. Por volta de 1880 surge a primeira importante alteração na composição da carga propulsora de armas de fogo, com o desenvolvimento da nitrocelulose, o que revolucionou os projetos e a função das armas de fogo em geral, e ficou conhecida pelo nome de pólvora sem fumo, que queima somente na superfície dos grãos. Em sua composição é adicionada nitroglicerina ou às vezes nitroguanidina, embebida em pequenas pelotas esféricas, lâminas ou cilindros, usando éter como solvente.

Bibliografia:
pólvora. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-08-18]. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$polvora>.