Escritor

Não é tão simples definir o que ou quem é o escritor. Será o ato de escrever uma profissão? Com certeza é um ofício, uma arte, a de tecer palavras e assim compor um romance, uma série de contos, poemas, crônicas, prosa poética, seja qual for o gênero literário. O autor é um artista, pois ele dedica sua existência a criar com a matéria-prima disponível em sua inspiração e também no bendito suor, os vocábulos que se transformam em literatura.

Foto:  ouh_desire / Shutterstock.com

Foto: ouh_desire / Shutterstock.com

Nem todos os que se entregam à arte literária conseguem publicar seus livros, portanto este não é um requisito para se definir o escritor. Principalmente no mundo contemporâneo, que oferece a este criador a possibilidade de compartilhar seus escritos com os leitores através de novos formatos, como o virtual.

O universo da Internet é hoje acessível para quase todos, oferecendo veículos inovadores, como os célebres blogs, editados por quaisquer internautas interessados em divulgar suas idéias. É claro que também poderia ser de certa forma herético classificar toda produção divulgada nos sites e blogs como literatura, assim como o seria definir todo e qualquer blogueiro como escritor eletrônico.

Mas não se pode desconsiderar este espaço extremamente democrático, que permite principalmente aos novos autores dividirem sua criação com os leitores que navegam pela Internet. O próprio leitor, aliás, pode selecionar as obras aí lançadas e determinar a qualidade desta produção e o que realmente se pode considerar como literatura. Afinal, uma pessoa só se torna realmente escritora quando alguém lê o que ela criou e a define como tal.

Nem todos, é claro, serão famosos e imortais como Machado de Assis, Guimarães Rosa ou Clarice Lispector, reconhecidos universalmente. Mas ninguém espera, nos dias atuais, encontrar reproduções das obras-primas produzidas por estes autores, portanto isto não deve ser entrave para ninguém que realmente deseje se expressar através da arte literária.

Quanto a um possível retorno financeiro, isso só se torna realmente possível, permitindo que o autor sobreviva do que escreve, quando ele já se tornou realmente conhecido, e seu nome na capa do livro estimula positivamente o alto índice de vendas da obra por ele elaborada. A maioria, porém, que se aventura no campo da literatura, é obrigada a pagar um determinado valor às editoras para ver suas obras publicadas.

Alguns autores, ao criarem suas histórias, estão na verdade concebendo outras esferas, criando novos mundos. Outros buscam na própria realidade novas potencialidades. Já para o escritor português Mia Couto, escrever é empreender uma jornada entre universos distintos e residir na linha divisória que se localiza entre eles. Sua criação é um passaporte que lhe permite adentrar em espaços que contêm o interior e o exterior, a realidade e a fantasia.

Para o autor brasileiro Cristovão Tezza, um dos melhores da safra contemporânea, há um certo mistério em torno do escritor, que conquista de imediato o leitor, como se este criador exercitasse um ofício clandestino, cercado por uma aura enigmática. Ele não é um profissional convencional, como o que se gradua em uma faculdade, reconhecido oficialmente, mas sim o ser à margem que tenta reproduzir o que não pode ser imitado, como acreditava Clarice Lispector.

Fontes
http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&cd_materia=977
http://pt.wikipedia.org/wiki/Escritor
http://portalliteral.terra.com.br/artigos/o-que-e-ser-escritor
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=810669&tit=Ser-escritor

Arquivado em: Escritores, Profissões