Modelista

Por Ana Lucia Santana
O modelista é o profissional que traduz para o papel os conceitos e criações do estilista. Este dá início ao mecanismo de gestação de uma coleção, mas é aquele que verifica a adequação do modelo inicial ao tecido previsto pelo criador, o caimento de cada peça, a execução prática das idéias do estilista.

Desta forma, é ele o responsável pela elaboração do molde que servirá de base para a produção da primeira veste do conjunto criativo. Com a aprovação deste elemento experimental, é possível dar seqüência à fabricação em massa do figurino. O modelista, portanto, organiza o processo criador do estilista, inclusive orientando-o quando algo não dá certo em sua concepção inicial.

Com as pressões que incorrem sobre o mundo da moda, este profissional precisa ter muita calma, talento para lidar com a geometria, já que ele irá atuar quase sempre com réguas e escalas, saber discernir os mais distintos tecidos e caimentos. Neste setor é exigida a perfeição, pois os profissionais trabalham com medidas e proporções. Assim como o estilista, este especialista também deve ser inventivo, pois muitas vezes cabe a ele buscar soluções e ajustes para as idéias ainda imperfeitas do estilista.

Em um mercado onde faltam bons profissionais, há sempre vagas disponíveis para os modelistas, que começam a carreira recebendo por volta de $ 900 por uma jornada de oito horas diárias, mas este salário pode atingir até seis mil reais. Na divisão de tarefas, o trabalho do modelista é essencial; ele nunca atua no segundo plano, ao contrário do que muitos pensam. Ele também deve ser visionário, prevendo o destino da peça concebida pelo estilista.

Ao se ver com o esboço do criador nas mãos, o modelista visualiza a veste fracionada em diversos elementos – mangas, gola, bolsos, entre outros. Ele reproduz cada um deles no papel e depois corta estas figuras, as quais orientarão, a partir daí, os responsáveis pelo corte e costura.

Nas produções massivas é necessária a intervenção dos profissionais da informática, pois no universo digitalizado todo trabalho em larga escala deve passar pelo computador, o qual, neste caso, reconhece cada formato e também as medidas respectivas, e converte tudo para o processo digital. Atualmente grande parte da modelagem é processada virtualmente, embora algumas nuances ainda requeiram a intervenção manual.

Alguns estilistas realizam também o trabalho de modelagem, quando não há a exigência de uma produção massiva, o que é cada vez mais raro neste campo, pressionado pelos prazos e pelas demandas do mercado da moda. O modelista atua em duas esferas, na modelagem plana e na tridimensional ou moulage, a primeira a ser praticada por este profissional. Neste processo o modelo é montado no próprio corpo ou no manequim. Já a modelagem plana é um requisito da escala industrial.

Há cursos de modelagem industrial no Bom Retiro, com a extensão de dez meses. No Senai são oferecidos módulos que têm o valor situado entre 160 e 400 reais, conforme a carga horária escolhida. Já o Senac tem um curso anual, o qual demanda do aluno 12 parcelas de R$ 585,50.

Fontes
http://sptv.globo.com/Sptv/0,19125,LPO0-6150-20071212-312637,00.html
http://profissaomoda.com.br/?acao=colunistas&subacao=ler&id=40
http://www.revistasintetica.com.br/carreiraInterna.asp?carreiraSubID=23