Experiência de quase morte

Nas experiências de quase morte (EQM), as pessoas encontram-se normalmente mortas clinicamente, sem o decreto de morte cerebral, supostamente são transportadas para uma outra dimensão da existência, passam por sensações e visões, retornam para a vida e se revelam transformados, renovados em suas atitudes e crenças.

Foto: Paul Vasarhelyi / Shutterstock.com

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Estas experiências vem sendo relatadas há milhares de anos, desde os tempos de Platão, que deixou registradas em sua obra descrições de experiências semelhantes. Apesar dos contornos místicos que estas vivências adquirem, alguns cientistas ainda preferem atribuir este fenômeno a uma hipóxia cerebral, estado em que o cérebro não recebe a oxigenação adequada, apesar do sangue fluir normalmente, ou ao efeito de determinados remédios consumidos pelo paciente.

A expressão EQM foi criada pelo Dr. Raymond Moody em seu livro Vida Depois da Vida, lançado em 1975. Nele, o autor relata nove sensações compartilhadas por aqueles que vivenciaram esta experiência: perceber algo semelhante ao zumbir de um inseto nos ouvidos; impressão de paz e de inexistência da dor; vivência fora do corpo; sentimento de estar no interior de um túnel, observando uma luz no final dele; sensação de ascender ao longo dos céus; visualizar pessoas já mortas, especialmente alguém da família; contato com criaturas do universo espiritual, às vezes identificadas como Deus, dependendo da religião ou da cultura da pessoa; visão da vida em retrospecto, como um filme, do momento do nascimento até a morte; hesitação em retornar à vida.

Algumas pessoas também têm consciência, neste momento, da presença de pessoas à sua volta, no hospital, ouvem algumas vezes o veredicto da própria morte, relatam uma visão de 360º e sentem seus sentidos convencionais se ampliarem. Há sempre um ponto limítrofe, além do qual a pessoa não pode mais voltar para a existência material – uma porta, sebe ou lago, que atuam como demarcações definitivas entre duas esferas -, decisão que geralmente cabe a ela tomar. Quase sempre os que passam por este momento crucial sofrem uma intensa metamorfose espiritual.

Este fenômeno tem sido cada vez mais estudado pelos médicos, que com o auxílio das descrições realizadas por seus pacientes podem se aproximar de uma compreensão crescente da consciência. Com a intensificação destes eventos, os cientistas não podem mais rejeitar o debate e as investigações sobre este tema. Quando a tecnologia se incrementa e massagens no coração, bem como o uso de estimuladores elétricos, trazem de volta pessoas aparentemente mortas, torna-se impossível fugir das discussões e análises.

O cardiologista holandês Pim van Lommel decidiu enfrentar este desafio, não com especulações místicas, mas com uma visão científica do fenômeno da EQM. Ele reuniu entrevistas com pessoas que vivenciaram este evento e publicou os resultados de seus estudos na consagrada revista científica The Lancet, gerando intensa polêmica. Ele interpelou 344 pacientes de dez hospitais holandeses, definidos cientificamente como clinicamente mortos, fato comprovado através de um eletrocardiograma.

Se estas pessoas não fossem submetidas a um processo de ressuscitação em cinco ou dez minutos, seria impossível retornarem á vida, pois o cérebro não receberia oxigênio, nem sangue o suficiente para a sobrevivência humana. Destes pacientes, 62 indivíduos, 18% dos que estiveram à beira da morte, afirmaram ter vivido a Experiência de Quase Morte. O restante nada se lembrava sobre estes momentos de inconsciência. Nos episódios em que se registra o fenômeno, a descrição das sensações se encaixa perfeitamente nos parâmetros apontados por Moody. Estas experiências também foram narradas por pacientes terminais, em estado de coma por conta de acidentes, ou em tentativas de suicídios, entre outros casos.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3xia_cerebral

http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol34/s1/116.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vida_Depois_da_Vida
http://pt.wikipedia.org/wiki/Experi%C3%AAncia_de_quase-morte

http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT483439-1940,00.html

Como Viver Eternamente – Sally Nicholls – Geração Editorial – São Paulo – 231 pp.

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