Franz Brentano e o objeto de estudo da psicologia

Por Geraldo Magela Machado
Franz Brentano (1838-1917) é considerado um dos mais importantes psicólogos do início da disciplina, devido à diversificação de seus interesses de estudos. Sua psicologia era de base empirista, ou seja, de observação. Contrário à psicologia de Wundt, que era de experimentação, Brentano acreditava que era mais importante o ato mental do que o objeto em si. Por exemplo, para ele era mais importante estudar o ato mental de ver, do que o conteúdo mental o que é visto. Esse método ficou conhecido como psicologia do ato.

Brentano afirmava que deveria haver uma distinção entre experiência como estrutura e experiência como atividade. Contrariando Wundt e seus seguidores e redirecionando o objeto de estudo da psicologia, Brentano teve de criar um método de análise diferente da introspecção (olhar para dentro de si), uma vez que o ato não é acessível por este meio. Assim, criou o método de análise dos atos mentais, através da observação (empirismo), mais adequado para a psicologia do ato.

Brentano aperfeiçoou duas formas de estudo dos atos mentais:

  • por meio do uso da memória (lembrança dos processos mentais envolvidos em um determinado estado mental);
  • por meio do uso da imaginação (imaginando um estado mental e observando os processos mentais que ocorrem).

Embora atraísse muitos seguidores, a psicologia de Brentano não foi tão conhecida quanto à de Wundt, pois este publicou mais obras e artigos. Os psicólogos achavam mais fácil estudar as sensações ou o conteúdo consciente com os métodos da psicofísica, do que usar a observação para analisar as atos mais evasivos (aqueles que deixam dúvidas).

Na mesma linha moderada de Brentano e influenciado por este, surge Carl Stumpf (1848-1936), que alegava serem os fenômenos os dados mais importantes para a psicologia. A fenomenologia, tipo de introspecção defendida por Stumpf, diz respeito ao exame da experiência imparcial, tal como ela ocorre, sem tentar reduzi-la a seus componentes elementares (reducionismo), como fazia Wundt.

Bibliografia:
História da Psicologia Moderna/Duane P. Schultz, Sydney Ellen Schultz; tradução Suely Sonoe Murai Cuccio. – São Paulo: Cengage Learning, 2009.