Herança Mental

Francis Galton, nascido na Inglaterra em 1822, nas proximidades de Birmingham, era o caçula de uma família de nove filhos e dotado de uma inteligência extraordinária e riqueza de idéias originais. Entre seus estudos estão os da impressão digital, levantamento de peso e a eficácia da oração religiosa.

O primeiro livro de Galton que trouxe ajuda importante para a psicologia foi Hereditary genius, em 1869. Nesse trabalho Galton tentou demonstrar que a grandeza ou a genialidade individuais eram tão frequentes dentro das famílias, que a influência do ambiente não era explicação suficiente para esse fenômeno. Assim, um homem notável, teria filhos notáveis.

Grande parte dos estudos de Galton mostrava que uma pessoa famosa, herdava, além da genialidade, sua forma específica. Assim, segundo seus estudos, um cientista nascia em uma família já com destaque nas áreas da ciência, baseado na hipótese da ancestralidade e hereditariedade. Uma de suas metas era incentivar o nascimento de pessoas mais aptas e notáveis, enquanto desestimulava o nascimento dos menos capazes.

Para que isso fosse possível, fundou a ciência que batizou de eugenia, palavra originada do grego Eugenes, que significa de boa estirpe, dotado de qualidades nobres hereditariamente, aperfeiçoando, assim, as qualidades da raça humana, através da seleção artificial, como era feito com os animais de criação. Se as pessoas de qualidades superiores fossem gerando filhos apenas entre elas, após gerações o resultado seria uma raça humana superiormente talentosa. Para a seleção das pessoas talentosas, Galton propôs a aplicação de testes de inteligência. Assim, as pessoas selecionadas receberiam ajuda financeira para se casarem e procriarem.

Para comprovar sua teoria da eugenia, Galton elaborou estudos estatísticos e de mensuração, classificando os homens extraordinários de sua amostra em categorias, de acordo com a freqüência dos níveis de capacidade. Estes dados comprovaram que os homens notáveis, tinham maior probabilidade de terem filhos notáveis, do que os homens comuns.

Para Galton, a influência do ambiente onde a pessoa era educada, não era tão forte a ponto de ser considerada como responsável pela superioridade em relação a outras pessoas. As oportunidades educacionais e sociais não eram determinantes para o sucesso ou o fracasso. A função hereditária é que era a responsável pelas diferenças de genialidade e capacidade.

Segundo Galton, nenhum esforço físico ou mental possibilita ao indivíduo um avanço além das suas capacidades genéticas.

Fonte:
História da Psicologia Moderna/Duane P. Schultz, Sydney Ellen Schultz; tradução Suely Sonoe Murai Cuccio. – São Paulo: Cengage Learning, 2009.

Arquivado em: Psicologia