Porforofobia

No mundo contemporâneo, quando as pessoas começaram a se distanciar umas das outras por carência de confiança e pelo aumento indiscriminado da violência, outro caminho se abriu. Hoje o mundo virtual está sendo desbravado por uma boa parte da população mundial; todos querem estar conectados, se relacionar virtualmente, preencher o vazio que se instaurou dentro da alma humana à medida que as pessoas deixaram de interagir fisicamente.

Agora este vínculo pela ‘web’ virou um vício. Mergulhar neste universo significa estar atualizado, ligado à comunidade planetária, deter as informações compartilhadas pelos que navegam neste sistema, mesmo que esses dados não signifiquem a ampliação do conhecimento.

E é o que ocorre na maioria das vezes. O que circula pela internet normalmente não passa de frutos da cultura popular do século XXI, tais como memes, novos jargões, disputas entre usuários do Twitter, postagens no Facebook, mensagens visuais, entre outros produtos da rede.

Ficar ausente desse mundo provoca pânico em muitas pessoas. A Porforofobia é justamente este pavor de estar desconectado. Normalmente suas vítimas não percebem que estão sofrendo deste mal, pois acreditam que seus medos são normais. Afinal, pertencer a uma ou várias redes sociais é um dos sonhos de consumo do homem deste início de milênio.

Este conceito surgiu a partir da tradução livre do termo FOMO – Fear of Missing Out -, cunhado a princípio no site Urban Dictionary, especializado em significantes do século XXI. Logo depois a expressão foi adotada pelo veículo New York Times. É usado no sentido de temer estar por fora do que está acontecendo no meio virtual.

A net é hoje parte essencial da nossa realidade; há muito tempo ela deixou de ser um mero instrumento. As fronteiras entre o público e o privado se romperam e agora os internautas não querem mais permanecer nos bastidores; eles desejam mesmo é exibir suas vidas online. Assim se tem a ilusão de estar por dentro das novas em tempo integral. Embora estas novidades não sejam consistentes, possuí-las nos dá a sensação de estar enturmados. Mas, é claro, simplesmente é inviável abranger todas as informações acessíveis na teia virtual.

Pode parecer irracional este sentimento, mas quem disse que o medo é algo racional? Na verdade, ninguém quer ser marginalizado, excluído da aldeia global. Trata-se de uma fobia coletiva, similar a de não ser aprovado pelo outro. Esta síndrome é conseqüência de nosso novo estilo de vida. O importante é ter consciência disso e evitar atitudes desmedidas no universo virtual.

Especialmente os mais suscetíveis a transpor as barreiras da normalidade. Devem estar atentos os que vivenciam um espetáculo musical mais pelo visor do celular do que com o olhar dirigido ao palco; os que postam suas fotos no Instagram sem cessar; aqueles que ao invés de desfrutar da balada ficam narrando cada acontecimento da festa; os internautas que exibem fotos deles mesmos incessantemente; as pessoas que simplesmente precisam ficar a par de tudo o tempo todo. É essencial que eles reflitam sobre este comportamento e procurem modificá-lo. Pois, enfim, ninguém vai morrer por não saber de tudo que se passa na ‘web’.

Fonte:
Almanaque Saraiva. Ano 7, #78, Novembro 2012.

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