Extração Cromatográfica Laboratorial

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

A cromatografia é um método de extração bastante difundido no laboratório de química, usado fundamentalmente para separar os componentes de uma amostra, no qual se distinguem duas fases: uma estacionária e outra móvel. Na cromatografia em papel, a fase estacionária é o papel colocado em uma cuba, com o solvente, denominado eluente, colocado na fase inferior. E a fase móvel é o eluente, que sobe pelo papel “arrastando” seletivamente  as substâncias que compõem a mistura.

Devido à diferença de interação com o papel e com o eluente, as diferentes substâncias sobem com velocidades diferentes. Dessa forma, as substâncias que possuem maior afinidade pelo eluente sobem mais rapidamente, enquanto que as que possuem maior afinidade pela estrutura do papel são arrastadas mais lentamente pelo. Ocorre então a separação, sendo na maioria das vezes possível visualizar os diferentes componentes de cada mistura, através da diferença de coloração entre os mesmos.

Os primeiros experimentos cromatográficos foram realizados no início do século passado pelo botânico Michael Tswett com o objetivo de investigar os pigmentos das folhas, mas somente por volta de 1930 tomou maior impulso. Hoje seu emprego é comum em laboratório de indústrias, para separação, purificação e identificação de numerosas substâncias orgânicas ou inorgânicas, visto ser uma técnica simples comparada com as demais.

Os principais procedimentos cromatográficos são: cromatografia em papel, cromatografia em camada delgada, cromatografia em coluna e cromatografia em fase gasosa.

Laboratorialmente, algumas técnicas cromatográficas poder ser realizadas sem a necessidade de maior instrumentação, trazendo relevantes recursos didáticos para a compreensão em química. Abaixo serão mencionadas duas dessas, as quais requerem uma correta aplicação de alguma pigmentação em um papel filtro, conforme descrição abaixo:

Aplicação da amostra: em uma tira de papel de filtro (5 × 13cm), trace, com lápis, uma linha reta a 2cm da base. Esta denomina-se linha de base. Sobre ela encostar um capilar umedecido com uma solução de corantes. Fazer cinco aplicações sucessivas esperando o tempo necessário para a secagem da aplicação anterior. A mancha da amostra não deve ultrapassar 2mm.  

Técnica n° 1: extração cromatográfica laboratorial

  • Colocar cerca de 100 mL de água comum em um béquer e aqueça-a até ebulição.
  • Cortar em pequenos pedaços algumas folhas de espinafre e colocá-las na água fervente por cerca de 3 minutos.
  • Retirar as folhas cozidas do béquer e transferi-las para uma almofariz.
  • Com auxílio de um pistilo, macerar as folhas com aproximadamente 5 mL de etanol até obter um extrato concentrado, porém líquido. (Nesta etapa, reservar algumas gotas da essência.) Caso a solução apresente-se muito viscosa, acrescentar um pouco de álcool, até que a viscosidade desapareça.
  • Colocar um pedaço de algodão no interior de um funil e filtrar o extrato.
  • Fixar o ponto mais estreito da tira de papel-filtro ao centro do corpo do bastão de vidro, de modo que a tira fique imersa na solução, conforme Figura 1.

    Figura 1

  • Aguardar alguns minutos e observar o papel filtro.

Técnica n° 2: CCD

  • Cobrir o fundo de uma cuba de vidro com etanol.
  • Utilizando papel filtro nas paredes internas, tampar esta cuba, saturando-a com o etanol.
  • Com auxílio de uma micropipeta, adicionar uma gota da amostra vegetal reservada na técnica anterior em uma placa cromatográfica (Figura 2).

    Figura 2

  • Introduzir esta placa no interior da cuba de vidro, de modo que o solvente contido no fundo não tenha contato com a amostra na placa.
  • Esperar alguns minutos e observar o resultado.
  • Caso necessário, repita o procedimento utilizando um solvente de diferente polaridade.

Referências:
PERUZZO, Francisco Miragaia (Tito); CANTO, Eduardo Leite; Química na Abordagem do Cotidiano, Ed. Moderna, vol.1, São Paulo/SP- 1998.
ATKINS, Peter; JONES, Loreta; Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente, Porto Alegre: Bookman, 2001.
FELTRE, Ricardo; Fundamentos da Química, vol. Único, Ed. Moderna, São Paulo/SP – 1990.

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